quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fair Play II

Não sou contra o jogo, desde que estejamos tratando o jogo de conquista como FAIR PLAY, ou seja: jogo limpo, em que o interesse seja real. Jogo como ferramenta de conquista tem que ser instigante, divertido, interessante. Nesse ponto, é bom ficar claro: jogo do amor não se joga sozinho, é preciso dois e por isso é importante conhecer minimamente o outro pra saber se ele está se sentindo estimulado ou se, pelo contrário, está sendo torturado. Meninos e meninas inseguros e com baixa auto-estima, por exemplo, podem sofrer com mil voltas, frases ambíguas, convites vagos, esperas longas por um telefonema e coisas do tipo. Não é todo mundo que gosta e que aceita brincar. Respeite isso.

O jogo serve para revelar aos poucos, para aumentar o interesse, ele não pode ser um meio de usar o outro, nem de se esconder. Se eu pudesse comparar, faria como o Rubem Alves, que usa a analogia do frescobol para o amor. Acho que é assim: o jogo de conquista não tem vencedores nem vencidos, não é uma competição, mas um ganha-ganha. O objetivo é fazer o outro acertar e jogar a bola no ponto certo pra que ele possa rebatê-la redonda de volta, é se aproximar mais e não dominar ou mostrar superioridade.

Seja lá qual for o seu estilo, jogos não podem durar pra vida inteira e precisamos nos abrir e nos permitir a uma certa altura da brincadeira. Se não for assim, ficará evidente que o objetivo do jogo não é conquistar quem desejamos, mas esconder-se, numa demonstração clara de medo de se expor, de deixar à mostra sua vulnerabilidade, sua insegurança.

Se você não é capaz de se entregar, também não é capaz de viver nada que não seja superficial, porque não deixará ninguém te conhecer o suficiente pra avaliar você de verdade. Você só mostra o que lhe interessa e não o que você é por inteiro.

Ok. Eu não me exponho para qualquer pessoa, e nem acho que ninguém deva fazer isso. Mas todos somos frágeis, SEM EXCEÇÃO, ninguém é um ilha. Existe um momento em que temos que dar um passo à frente. Quando nos vemos apaixonados, às vezes dá mesmo medo de quebrar a cara, principalmente se você não é um ingênuo marinheiro de primeira viagem. Mas a vida é isso: é preciso arriscar. E eu sou totalmente a favor de correr certos riscos, já deixei a minha opinião muito clara a esse respeito em outro post: Economizar o coração é economizar a alma. E quem faz isso, já está meio morto de qualquer maneira.

Se é pra se jogar, jogue limpo, não mande sinais contraditórios. Jogo de amor não é, de maneira nenhuma, brincar com os sentimentos do outro. Deixe claro que você de fato está caminhando em direção ao outro, ainda que dando algumas voltas a mais só pra ficar mais perto ainda depois. E não esqueça que jogo demais confunde e faz até perder o interesse. Se não é isso que você quer, brinque, mas faça o outro saber que vocês são parte do mesmo time e querem chegar ao mesmo lugar no final das contas.

Tease me!

Minha sugestão pros jogadores de plantão é: joguem com leveza, façam disso um strip-tease em que você se revela aos poucos. O objetivo é despertar a vontade de ver mais e, ao se mostrar, fazer com que o outro também se sinta à vontade para tirar algumas camadas de roupa.

Mostrar-se aos poucos ainda é mostrar-se, portanto, seja verdadeiro, autêntico e esteja certo de que você tem alguma coisa pra oferecer além da superfície.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fair play I

"Não atende! Deixa ele ligar mais duas vezes aí você liga de volta". "Não liga logo de cara, espera uns dois dias". "Deixa ele dar o primeiro passo". "Finge que você passou aqui por acaso". "Não beija logo de cara".

Alguém aí nunca proferiu ou escutou frases parecidas?

Jogar ou não jogar, eis a questão.

Tem gente que odeia joguinhos. Tem gente que não dá um passo que não seja extremamente calculado como se o amor fosse um tabuleiro de xadrez. A minha opinião? Bom, eu sempre olho os dois lados da moeda.

O que é inegável pra mim é que a conquista é um jogo. "Russian roulette is not the same without a gun. And baby when it's love if it's not rough it isn't fun". Ninguém gosta de nada fácil, é uma coisa do ser humano, especialmente dos homens, muito embora mulheres façam isso com frequência. Acredito que quando realmente nos interessamos, gostamos de descobrir, desbravar, conquistar, envolver o outro. Essa é a graça: ganhar o coração de quem desejamos e não tê-lo entregue por delivery, sem nem ter que sair de casa.

Ter uma pessoa que VOCÊ conquistou... alguém que não é qualquer pessoa que conquista faz de você alguém especial. Dentre todas as pessoas que "investiram" EU consegui. Sim, a psicanálise vai provar que no final das contas somos extremamente egoístas... Freud explica, não perguntem os porquês disso pra mim, porque a psicanálise destruiu todas as minhas ilusões mais puras, rs.

Eu me baseio em fatos. E o fato aqui é que, se algum leitor desse Blog não gostar de conquistar ou ser conquistado, ou gostar de alguma coisa fácil, terei que me admitir totalmente equivocada. E nesse ponto eu desafio vocês. Antes, uma observação importante: uma coisa é estar carente e querer um beijo na boca "aqui e agora". Isso não é conquista. E quem quer isso quer mesmo objetividade, preto no branco. Ninguém está tentando "encantar" o outro quando os fins são estrita e puramente físicos. O jogo da conquista pressupões justamente o contrário: o encantamento.

Portanto, se você é contra o jogo do amor, sugiro continuar lendo e, quem sabe, rever seus conceitos e preconceitos.

Se não sabe brincar, não desce pro play!

O primeiro alerta: existe uma grande diferença entre "apimentar" a conquista ou fazer com que o outro se apaixone por você de novo no dia seguinte (a reconquista permanente, como no filme de Drew Barrimore "Como se fosse a primeira vez") e simplesmente querer manipular, dominar o outro, usá-lo para conquistar, preencher sua carência e massagear o seu ego, torturando seu "objeto" de conquista ao deixá-lo inseguro como forma de ter o controle do jogo até que você o tenha na palma da mão, quando então as coisas perdem a graça e você se cansa de brincar.


To be continued (...)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Se tiver que ser, VAI SER

Hoje é aniversário de casamento de uma amiga muito, muito querida. Aliás, como fui madrinha, vou comemorar a data contando pra vocês sua linda (e verídica) história de amor.

Para que vocês conheçam a história, para que vocês acreditem que o amor existe sim, mas sempre vem acompanhado de altos e baixos (e, por incrível que pareça, muitas vezes é o que faz valer a pena), e para que saibam que além de nada na vida ser por acaso, tudo que tiver que acontecer vai acontecer, mas somente na hora certa.

Bom, há dez anos atraz, quando Lili conheceu o amor da vida dela, o Lu, ela tinha 17 anos. Ficaram loucamente apaixonados e começaram a namorar. Em três semanas ela ficou grávida. Mas eles já não estavam mais juntos porque ela só descobriu a novidade na terça-feira seguinte ao sábado em que eles brigaram e terminaram (aliás, por fofoca de cidade pequena - um perigo).

Foi uma época muito dura. Enfrentar uma gravidez sozinha aos 17 anos não é mole. O cara acompanhava e participava de tudo e tal, mas não era a mesma coisa como ter um apoio exclusivo e em tempo integral. Enfim, nasceu a criança. E o momento que era pra ser o mais feliz na vida de Lili, foi manchado com a visita indesejada da namorada do pai da sua filha a tiracólo.

Um ano inteiro se passou. Lu ía visitar a criança quase todos os dias e os dois se davam muito bem como amigos. Até que, com essa convivência, o cara começou a conhecer Lili melhor. Livre de fofocas e estresses, ele a viu como mulher e como mãe da sua filha. E aí foi o reencontro deles. Após uma conversa informal, eles resolveram ficar juntos de novo. Ah, importante: por eles, e não pela filha. E depois de namorarem de novo, direito, se casaram com a filha deles como dama de honra (melhor impossível).

Pois é, e hoje eles não apenas continuam casados como também muito bem casados. Felizes. Com suas vidas encaminhadas, com mais uma filha e ainda um gato. Bem ao estilo comercial de margarina.
Na minha opinião, essa história prova que não importam quantas voltas o munde dê, o que tiver que ser vai ser.
E não importa o quanto você corra atrás ou lute contra. Se tiver que ser, vai ser m-e-s-m-o.


Uma declaração de amor

Esqueçam isso de faixa com "eu te amo", flores, etc e tal. A maior declaração de amor de todas é saber que o outro te ouve e ENTENDE você... especialmente quando você se acha uma louca de marte vivendo no planeta errado.

Essa semana eu recebi uma dessas declarações de amor inesperadas. Estava eu no meio das minhas divagações, meio que falando por falar... achando que eu estava num monólogo do tipo "to be or not to be", aí eu escuto: "adoro quando você fala em círculos e faz perfeito sentido".

Não é uma declaração de "amor romântico", já que foi um amigo que me conhece até do avesso quem falou isso. Mas esse é um belo exemplo sobre encontrar "forasteiros", que abordei no post Mesa Pra Dois.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quando foi a última vez que você virou abóbora ?

Já escrevi um post pensando sobre a possibilidade de pessoas mudarem. Conclusão: sim, a gente muda o tempo todo.


Mudar é simplesmente inevitável.

Mas a questão mais importante de todas é o jeito que você muda. Um pouquinho todo dia ou tu
do de uma vez? De Cinderela a abóbora no meio da noite ou sempre igual até que você percebe que chegou aos 80 totalmente diferente e nem se deu conta? Você prefere um caso previsível e morno ou uma paixão que te faz perder o rumo?



Amores previsíveis, de um lado, não despertam vida, não inspiram. São paisagens às quais nos acostumamos, são quadros que nem percebemos mais na parede, personagens que não nos incomodam nem nos estimulam. Apaixonar-se, por outro lado, é mais violento, mais perigoso... é quase como levar um murro na cara.

Sobre isso, no filme Tempo de Recomeçar (original Life as a House) Kevin Kline tem uma fala que adoro: "change can be so constant you don't even feel the difference until there is one.
It can be so slow that you don't even notice that your life is better or worse, until it is. Or it can just blow you away, make you something different in an instant. It happened to me."

Tempo de Recomeçar é meu filme preferido sobre mudança, porque passeia justamente sobre o equilíbrio entre crescermos e mudarmos pouco a pouco e a necessidade de sofrermos, vez por outra, uma mudança brusca, violenta, que nos faça recuperar a sensibilidade perdida pelos olhos acostumados a paisagem morna da vida.

E o amor e a paixão são assim uma montanha russa. É necessário que um complemente o outro porque o que mantém o interesse é a capacidade que os casais possuem de se reinventarem, o que mantém o desejo de estar com o outro é o sobe-e-desce entre a calmaria e a tempestade, a reconquista. Se só a paixão durasse pra sempre a emoção estaria perdida, porque viraria paisagem.

Amo você quando não é você


Há muito tempo atrás li num texto da Martha Medeiros a notícia de jornal sobre uma casal em crise que, em segredo, trocava e-mails com um pretendente virtual desconhecido usando pseudônimos. Cansados da monotonia um do outro e impulsionados pela percepção de que ainda eram interessantes e dignos de despertar o desejo e a atração em outras pessoas, na "traição virtual" eles eram totalmente diferentes do que eram no casamento: mais sedutores, vivos, ousados e, por isso, mais interessantes e apaixonáveis.

Imagina a surpresa quando cada um foi empolgadíssimo ao encontro secreto com seu amor e viram que, na verdade, estavam "interessados" um pelo outro sem saber. Cheios de moralismo separaram-se alegando infidelidade (por incrível que pareça!). Existe explicação pra isso?


Não há o menor mistério aqui. Já vimos essa história mil vezes. Se toda vez que encaramos um problema fugirmos com a desculpa de que a solução para um relacionamento cheio de obstáculos é ser feliz com outro alguém, pularemos de galho em galho pro resto da vida sem aprender nada, porque cada vez que nos depararmos com um problema, nos refugiaremos em algo novo, viveremos de novo a fase fácil da paixão e, em pouco tempo esbarraremos no mesmo problema, e aí começaremos tudo de novo com outra pessoa, num ciclo sem fim. Faz isso quem não emplaca em um namoro mais do que poucos meses, quem procura um amante quando a relação está monótona.


Relacionamentos não são a salada que nossa mãe fazia e a gente podia catar a cebola. Não dá pra viver só aquilo que gostamos sem olhar o outro. Sim: teremos noites de sexo, surpresas, felicidade. Mas também teremos momentos difíceis, tédio, monotonia.

Gostar do outro não pode ser uma obrigação, porque imposições eliminam o que é essencial na manutenção da alegria, do desejo, da sedução, do prazer: o ser espontâneo, a possibilidade de querer estar com o outro por escolha. E é por isso que a vida precisa ir além do outro e o namorado/marido/amante/caso não pode ser um objeto de realização nem a fonte inesgotável de felicidade.

O que eu quero dizer com isso? Não desista tão cedo, porque é possível apaixonar-se de novo pela mesma pessoa (a história do jornal tá aí pra provar isso). Não é sempre que é necessário trocar de príncipe para dar continuidade ao conto de fadas. Mas não podemos ser abóboras o tempo todo. O que mantém o brilho nos olhos é a mudança, a reviravolta, é dar ao outro a chance de surpreender, de ser quem a gente ainda não foi, e manter o interesse do outro mostrando que ele sempre vai ter alguma coisa pra descobrir em você, como um quebra-cabeças gigante, como as histórias das mil e uma noites que nunca terminam, que nos instigam a querer sempre mais.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Mesa pra dois?

Solteira sim, sozinha também

No restaurante, a moça da entrada pergunta: "mesa pra dois?". “Não, estou sozinha”. A simpática recepcionista insiste: “mas você vai esperar alguém?”. Quando me dei conta de que há meses estou "solteira & sozinha", passei algum tempo de ócio pensando no conceito de solidão. De tantas incursões que fiz desacompanhada nessa temporada solo, ficou óbvio e ululante que o mundo tem aversão a solidão.


Parece inconcebível eu querer, por vontade própria, sentar à mesa comigo mesma. Mais do que isso: é uma cena triste pra quem observa, parece que as pessoas pensam que levei um bolo, ou que não tenho amigos.


Ir ao cinema sozinho é quase crime inafiançável. Viajar sozinha então, nem se fala. Especialmente para mulheres, fazer qualquer coisa sozinha – até mesmo ir ao banheiro - é algo ainda estranho, que contraria a natureza humana.

Por que isso acontece? Por que estar só é uma coisa mal vista, que soa como algo que não pode ser escolhido?

Estar só é uma escolha e isolamento é um exercício bom e saudável de autoconhecimento. Solidão, por outro lado, é um fantasma mais assustador, ou, pelo menos,
deveria ser. Todo mundo foge de estar só, mas, a maioria não percebe a solidão que existe no meio da multidão. E essa é a única solidão ruim que eu experimentei: a de se sentir estrangeiro no seu próprio mundo, sentir-se só, ainda que acompanhada. Em A Alma Imoral, Nilton Bonder conseguiu colocar em palavras a única solidão da qual eu realmente tenho medo:
“Aqueles que se permitem as transgressões da alma com certeza são vistos e recebidos pelos outros como estrangeiros. Os que mudam de emprego radicalmente, os que refazem relações amorosas, os que abandonam vícios, os que perdem medos, os que se libertam e os que rompem experimentam a solidão que só pode ser quebrada por outro que conheça essas experiências. A natureza da experiência pode ser totalmente distinta, mas eles se tornarão parceiros enquanto 'forasteiros'“.
Fazendo as pazes com a solidão

Na ânsia de preencher a existência e o vazio, pessoas se casam, tem filhos, um emprego, amigos, um papel social, um espaço em que se possa dizer “eu existo e faço parte”. Mas a despeito de todo esse esforço, a solidão ainda está à espreita, porque ela não está em estar só.


A única maneira que eu conheço de aplacar essa solidão é encontrar seus pares “estrangeiros”: amigos de verdade, daqueles em que você se comunica pelo olhar; amores sinceros, que não sejam funcionais, mas cujo único propósito seja gostar e ser gostado; filhos desejados: não para preencher a existência ou dar continuidade ou um sentido à vida, mas pela vontade de compartilhar uma vida que já é cheia de sentido, de recomeço, de se doar e reconstruir o mundo.

Mesmo sozinha no cinema, é alegre saber que eu tenho algumas poucas pessoas na vida que, ainda que totalmente diferentes de mim, são capazes de me fazer sentir em casa: eu não preciso me explicar, nem me defender, porque tanto um quanto o o
utro nos sabemos forasteiros... e mesmo em completo silêncio, mesmo longe, a solidão não existe e, em lugar do desespero de estar só encontramos a saudade, a vontade de estar junto, a felicidade de saber que existe outro que de fato entende o que eu sou me faz sentir parte do mundo.

E quem se sente parte do mundo - mesmo um mundo de 10 pessoas - jamais se sente sozinho.