domingo, 27 de dezembro de 2009

Cartinha ao Papai Noel


Considerando que eu ainda não descobri se o amor é ou não uma falácia e tendo em vista que é fim de ano (e o Natal foi anteontem) e, na vida, a gente tem que acreditar em alguma coisa, eu que nunca acreditei em Papai Noel resolvi dar uma chance ao bom velhinho. É mais ou menos assim: tá mais fácil acreditar no papai Noel que no amor ;-)

Espero que o Papai Noel leia o meu Blog, porque não deu tempo de enviar a cartinha pelo correio e a essa altura do campeonato ele já deve estar cansado e de volta ao Polo Norte.

Querido Papai Noel,

Eu já tive a minha bicicleta de rodinha, a coleção da Barbie, um skate, patins, casinha de boneca e o meu primeiro videogame. O Senhor há de convir que eu fui uma menina muito boa, porque nesses 26 anos nunca te pedi nada, então, acredito que isso abra um precedente para um pedido de Natal atrasado.

É muito simples: eu queria me apaixonar pelo cara errado. É isso. Quero me apaixonar pelo cara que não liga de volta ou que não ligue at all. Pelo cara que não abre a porta do carro, nem manda flores. Quero me apaixonar loucamente por alguém que me leve pra jantar no McDonalds, ou num restaurante que só tenha jiló. Quero ficar totalmente encantada por alguém que me diga coisas absurdas, que me irrite profundamente, que tenha uma mãe mais insuportável que o Faustão.

Quero me apaixonar por um cara que não goste de nada do que eu gosto, que seja sedentário, que adore ver TV dia de domingo, que seja tão viciado em futebol a ponto de esquecer que eu existo, que não me faça rir, que não tenha bom humor, que nunca me surpreenda, que não seja capaz de se apaixonar de verdade por ninguém . Quero me apaixonar por um workaholic que nunca tenha tempo de passar na minha casa às 4h30 da manhã pra me levar pra ver o sol nascer. Que nunca me leve pra ver a lua e mergulhar no mar à noite, que tenha a sensibilidade de um paquiderme, que JAMAIS tenha vontade de viajar pra lugares novos, nem fazer coisas absurdamente inesperadas e viver aventuras comigo.

E digo mais: o cara errado tem que me dizer que estou gorda, que preciso urgentemente de 200ml de silicone em cada peito, que eu acordo com a cara mais horrenda que a do Freddie Krueger e que minha TPM é inadimissível, intragável, inaceitável.

Eu sei que é um pedido meio estranho e que o Senhor, é claro, deve querer saber o porquê dessa minha esquisitice. É muito simples: minha amiga Fernanda sempre me falava que quem já comeu filé nunca se contenta com alcatra. Desejo fazer exatamente o contrário da Nanda: me apaixonar pelo pior homem de todos os tempos. Quero saber se comer carne de pescoço vai fazer qualquer outra coisa parecer filé mignon.

Enfim.. cheguei a conclusão de que o amor (sendo ou não uma falácia) é simples, eu é que não me apaixonei por caras que fossem suficientemente ruins. Sei que o senhor é um homem ocupado e que o Homem Errado é um presente muito difícil de encontrar, mas eu realmente queria muito, muito mesmo. Será que o senhor consegue isso pra mim até o ano novo?

Muito obrigada.

Um beijo,

Paloma

PS.: Se o senhor atender meu pedido, prometo que só vou precisar usá-lo por no máximo 1 mês e depois vou emprestar pra todas as minhas amigas que reclamam que homens são todos iguais. Ou seja: seu presente vai valer por muitos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O famoso brilho nos olhos ...

O primeiro sinal que damos (de forma voluntária ou não) quando nosso coração passa por novidades é anunciado por nossos olhos. E o sinal mais gritante é o brilho em nosso olhar.

Quando nos apaixonamos são os primeiros a se iluminarem. Nos denunciam pelo brilho incontrolável que vai piorando de acordo com nossa tentativa em disfarçar, ou na empolgação em contar sobre a razão por tanta felicidade.

Lembro que, há muitos anos atrás, eu me apaixonei perdidamente por um cara que era, na minha cabeça, claro, o homem mais perfeito do mundo pra mim. Eu estava tão apaixonada que meus olhos mais pareciam dois holofotes. Um dia, um colega do trabalho me perguntou se eu estava chorando. Logo acordei da minha distração, ri e falei que não, meio sem entender. Então ele sacou logo:" Ah, já sei! Você acabou de ver o ´fulano´. Nossa... mas como seus olhos estão brilhando!!". Na hora eu fiquei sem graça e feliz ao mesmo tempo. Sem graça por ter sido denunciada por mim mesma. Mas feliz porque na verdade naquele momento eu estava feliz por qualquer coisa.

No entanto, os olhos também brilham e nos denunciam quando o coração vai mal. Assim como quando nos apaixonamos, nos momentos em que nosso coração desmonta os olhos são os primeiros a sofrerem. Não apenas brilham (por conta de lágrimas incontroláveis) como também incham e desfiguram nosso rosto.

O fato é que nossos olhos olhos brilham sempre que nossas emoções estão afloradas. Não apenas felizes. Nem sempre tristes.

O que eu acho é que quando nossos olhos brilham deveríamos aproveitar cada momento. Seja pra aproveitar a felicidade incontrolável ou pra nos permitir lavar a alma e mandar a tristeza embora.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sabedoria dos amigos I

Depois da série sabedoria das amigas - que me matou de rir - os meus amigos também resolveram filosofar. Ontem um amigo me liga 11 da noite pra falar de sua nova filosofia de recém-solteiro:

"Paloma, esquece esse negócio de escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. O negócio é trocar de carro, entrar na academia e fazer uma tatuagem".


Onde será que ele quer chegar com isso hein?
Aliás, alguém aí arrisca a versão feminina dessa filosofia?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Story of boy meets girl

Tom: O que acontece se você se apaixonar?
Summer: Você não acredita nisso né?
Tom: Não é como se o amor fosse Papai Noel!
Summer: O amor não existe, é uma fantasia.
Tom: Acho que você está errada.
Summer: Então o que é isso que eu estou perdendo?
Tom: Acho que você saberá quando encontrar.

Como num caleidoscópio, o filme 5oo Dias Com Ela (500 Days of Summer), em idas e vindas no tempo, conta uma história através dos vários fragmentos dos 500 dias em que Tom e Summer passam "juntos" - ele achando que encontrou o amor da sua vida, ela - um tipo de mulher às avessas - não acredita em compromisso, não acredita sequer no amor.

Ao contrário das comédias românticas tradicionais, o filme mostra que nem toda história em que um garoto conhece uma garota é uma história de amor. Os desencontros são inevitáveis e é preciso saber lidar com eles, porque o amor é realmente um método de tentativa e erro... e, só às vezes, a gente acerta.

Não sei quanto aos leitores desse Blog, mas a minha vida amorosa tem um roteirista. E o meu roteirista cismou, desde o início, que tudo tem que ser um suspense, uma emoção, uma interrogação. A esta altura, depois de todas as maluquices que ele me fez passar (eu tenho certeza de que ele se diverte às minhas custas!), vai ver que ele tá é certo. Eu nunca gostei de final previsível mesmo...

E se você também não gosta, assista 500 Dias Com Ela. Se não for pelos atores principais - Joseph Gordon-Levitt (Tom) e Zooney Deschanel(Summer) - que estão ótimos em seus papéis, que seja pela direção do estreante em longas, Marc Webb. E se nada disso te interessou, tem o que eu mais gostei: a trilha sonora é uma delícia (tem a primeira dama da França, Carla Bruni, The Smiths, Belle and Sebastian...
tudo de bom!).

Veja se você também vai chegar aos créditos com a "sensação" de que, de fato, o amor pode ser muitas coisas, menos a certeza de que a gente sabe sobre o final feliz, exceto a garantia de que podemos controlar o final, mesmo que tudo termine "bem".

E essa é a graça de apaixonar-se: é desolador ficar perdido dentro do filme da sua própria vida ... ao mesmo, saber o final estragaria tudo.


sábado, 19 de dezembro de 2009

I am weasel


Saca o desenho "Eu sou o máximo"? Já viu Johnny Bravo? Pois é... imagina só uma mistura dos dois. As cenas do Máximo e do Babão e do ultraego de Johnny expressam a clara idéia do que vem a ser a falta de noção da realidade. No que diz respeito a falta de noção nos relacionamentos, Máximo e Johnny estão mais do que enquadrados.

Tenho uma penca de amigas que trocaria facilmente um lindo portador da síndrome do "Eu sou o máximo" (cara que geralmente - embora nem sempre - é bonito, inteligente, bem sucedido, sensível, bom irmão, bom filho, bom amigo, ou seja, (quase) tudo de bom) por um rélis mortal que seja apenas simpático, agradável, humilde e.... que já tenha percebido que ele é parte do sistema solar e não o contrário.

Se você tem dúvidas da relação custo-benefício de se envolver com um ser da casta "eu sou o cara", listamos abaixo 9 boas razões para NÃO fazê-lo:


1. Proteger sua auto-estima: Eu sou o máximo acha que todo mundo VAI se apaixonar por ele. Não tem nada pior pra auto-estima do que estar com alguém cujas atitudes disparam mil vezes por minuto a mensagem "você é só mais uma, mas eu sou o cara".


2. Evitar a fadiga: o tipo Eu sou o máximo é geralmente muito atraente físicamente, o que por sua vez atrai muitas mulheres. Ele está acostumado ao mínimo esforço e frequentemente acha que o trabalho dele na vida se resume a distribuição de charme. O Máximo não precisa de nada além do fato de ser o máximo para conquistar você, de maneira que ele espera que VOCÊ faça tudo por ele (inclusive competir e ganhar das loucas que correm atrás dele). Tal e qual o Seu Jaiminho, do Chaves, não se envolver com "o cara" é a melhor maneira de evitar se cansar à toa, porque o esforço simplesmente não compensa.

3. Conversar com alguém que de fato ouve você: Eu sou o máximo adora um monólogo! Ele finge que te ouve por 2 minutos enquanto prepara o discurso sobre todas as suas qualidades, seu sucesso profissional, seu desempenho atlético, sua família perfeita, os lugares que viajou, os livros que leu... para ao final ter a cara-de-pau de dizer algo como "eu sou um cara tão simples, tão comum", apesar de ele ser o máximo. Argh!

4. Não aceitar favores: Eu sou o máximo geralmente se apresenta dizendo "o prazer é todo seu", porque ele tem plena convicção de que a honra e a sorte de conhecê-lo é toda sua. Não é horrível conviver com alguém que age como se estivesse te fazendo um favor?



5. Manter-se em níveis seguros de exposição ao drama desnecessário: Eu sou o Máximo adora um drama, principalmente se ele está no centro do palco como protagonista sofredor. Os dramas são todos épicos e pertinentes, tanto quanto a questão da fome na África: "todas se apaixonam por mim" (ohhhhhhhhhhhhhhh); "eu magoo as mulheres, isso me faz sofrer" (nossa!); "ninguém me compreende", ou ainda "eu sofro tanto com a inveja...todo mundo quer ser igual a mim".



6. Assegurar que o centro da terra permaneça no seu devido lugar: Eu Sou o Máximo ignora solenemente todo o conhecimento humano acumulado sobre o sistema solar (o sol é a estrela maior, os planetas giram em torno dele) e jura que o mundo gira ao seu redor: tudo é com ele, para ele, sobre ele.




7. Não ter que aturar a síndrome do saci: um dos efeitos colaterais das sucessivas tentativas de desestabilizar o sistema solar e roubar o lugar do sol como a estrela maior é que Eu Sou o Máximo vive vestindo a carapuça. Como ele acha que tudo é mesmo com ele, para ele e sobre ele, ele acaba assumindo que até o que não é com ele É COM ELE. Eu Sou o Máximo costuma ficar revoltado em situações absurdas e incompreensíveis como quando alguém fala mal de uma terceira pessoa (sim, existem outros seres no mundo além de Eu Sou o Máximo) e ele cisma que é com ele. Agora me diz: Se você não é um idiota e passa na rua e alguém grita "tem um idiota na rua" (quando a rua está cheia de gente), porque cargas d'água você gritaria de volta algo do tipo "tá me chamando de idiota porquê?



8. Poupar-se de passar sede ou fome: Eu sou o Máximo frequentemente se apresenta como a última coca-cola do verão ou o último biscoito do pacote. Ele se acha extremamente desejado e irresistível... é o heart braker. Mas a gente sabe que só mesmo o babão pra aguentar essa ladainha toda!



9. Escapar de ser preso por exercício ilegal da profissão: Eu sou o Máximo é cheio de questões existenciais. Vai ser inevitável você ter que lidar com isso o tempo todo e responder a perguntas de consultório de psicologia tipo: "eu não sei porque sou tão bonito, você me amaria se eu fosse feio?". Ele quer ser "analisado", mas você que não tente criticá-lo, porque análise só é válida se pressupõe dizer que ele na verdade não tem defeito nenhum, o problema são sempre os outros, caso contrário, ele vai dizer que você é maluca e vai procurar alguém mais agradável para analisá-lo. Ou seja: alguém que diga o que ele quer ouvir.

Meninos e meninas... nós sabemos que papai do céu quando nos fez jogou a forma fora. Todo mundo é único à sua maneira. Ser único é... digamos, comum (já que ninguém é igual). Dependendo do ângulo que olhamos, achamos algumas pessoas mais legais, outras menos. Mas a diferenciação, como na teoria da relatividade e na semiótica, está no olho de quem vê e não em quem está sendo visto.

Sendo assim, não existem razões para ninguém se achar tanto. Além do mais, se tudo depende do referencial, pra você ser "o cara" ou "a mulher" o fundamental não é VOCÊ se achar profundamente O MÁXIMO, mas todos ao seu redor afirmarem isso. Seria esse o seu caso? Hummmm... não concordo nem discordo, muito pelo contrário e vice-versa.

Agora, se você acabou de ler esse texto e se identificou, recomendamos a leitura e releitura dos posts 1 e 2 por 365 vezes, um vez ao dia durante um ano, iniciando tratamento homeopático a partir de 1º de janeiro de 2010. Caso ache necessário reforço, também recomendamos a leitura semanal do mito de Narciso (e, em casos extremos, o uso de bóias quando próximo a superfícies aquáticas que possam projetar seu reflexo na água, caso você não consiga resistir e se jogue...).

sábado, 12 de dezembro de 2009

Suicídio amoroso

Essa semana fui platéia das seguintes cenas:

1. A menina do trabalho que liga neurótica pro namorado dizendo "te liguei 6 vezes, onde é que você estava?!!!!!!!!!!! Por que você não me atendeu???????? Tava com quem?????".

2. A executiva estressada na ponte aérea que dizia pro cara ao telefone "se você não for me buscar no aeroporto por causa da sua mãe você sabe que a gente vai brigar mais tarde".

3. A mulher no restaurante: "Você nunca desliga dizendo que me ama!".

Diante de atitudes dignas da Felícia do Tiny Toon tipo "VOCÊ TEM QUE ME DEIXAR TE "AMAR" ATÉ A MORTE", acho que cabe fazer um comentário, ainda que óbvio: amor não se pede, muito menos se obriga!

Sufocar o outro, competir com a mãe, a irmã, a mulher, a amante, a vizinha gostosa, com o trabalho e com o ar que o outro respira é suicídio amoroso! Se você sofre da síndrome de Felícia, saiba: a única maneira de o outro perceber o quanto ele gosta de você e o quanto você é especial é dar chance de que ele tenha outras coisas na vida além de você!

Não sufoque, não deseje atenção e dedicação exclusivas. Isso não só não vai funcionar para aproximá-lo de você (o efeito vai ser justamente o contrário) como também é um sinal de que você não gosta da pessoa, você PRECISA dela, e isso não é amor.

Cenas como as dessa semana me fazem lembrar de um poeminha que traduz o que eu considero a melhor maneira de "querer" alguém:

Não te quero só pra mim
E nem poderia
Quero-te para ti mesmo
E para tua própria vida
E quanto mais fores
O que quiseres
Mais será o que eu queria

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fair Play II

Não sou contra o jogo, desde que estejamos tratando o jogo de conquista como FAIR PLAY, ou seja: jogo limpo, em que o interesse seja real. Jogo como ferramenta de conquista tem que ser instigante, divertido, interessante. Nesse ponto, é bom ficar claro: jogo do amor não se joga sozinho, é preciso dois e por isso é importante conhecer minimamente o outro pra saber se ele está se sentindo estimulado ou se, pelo contrário, está sendo torturado. Meninos e meninas inseguros e com baixa auto-estima, por exemplo, podem sofrer com mil voltas, frases ambíguas, convites vagos, esperas longas por um telefonema e coisas do tipo. Não é todo mundo que gosta e que aceita brincar. Respeite isso.

O jogo serve para revelar aos poucos, para aumentar o interesse, ele não pode ser um meio de usar o outro, nem de se esconder. Se eu pudesse comparar, faria como o Rubem Alves, que usa a analogia do frescobol para o amor. Acho que é assim: o jogo de conquista não tem vencedores nem vencidos, não é uma competição, mas um ganha-ganha. O objetivo é fazer o outro acertar e jogar a bola no ponto certo pra que ele possa rebatê-la redonda de volta, é se aproximar mais e não dominar ou mostrar superioridade.

Seja lá qual for o seu estilo, jogos não podem durar pra vida inteira e precisamos nos abrir e nos permitir a uma certa altura da brincadeira. Se não for assim, ficará evidente que o objetivo do jogo não é conquistar quem desejamos, mas esconder-se, numa demonstração clara de medo de se expor, de deixar à mostra sua vulnerabilidade, sua insegurança.

Se você não é capaz de se entregar, também não é capaz de viver nada que não seja superficial, porque não deixará ninguém te conhecer o suficiente pra avaliar você de verdade. Você só mostra o que lhe interessa e não o que você é por inteiro.

Ok. Eu não me exponho para qualquer pessoa, e nem acho que ninguém deva fazer isso. Mas todos somos frágeis, SEM EXCEÇÃO, ninguém é um ilha. Existe um momento em que temos que dar um passo à frente. Quando nos vemos apaixonados, às vezes dá mesmo medo de quebrar a cara, principalmente se você não é um ingênuo marinheiro de primeira viagem. Mas a vida é isso: é preciso arriscar. E eu sou totalmente a favor de correr certos riscos, já deixei a minha opinião muito clara a esse respeito em outro post: Economizar o coração é economizar a alma. E quem faz isso, já está meio morto de qualquer maneira.

Se é pra se jogar, jogue limpo, não mande sinais contraditórios. Jogo de amor não é, de maneira nenhuma, brincar com os sentimentos do outro. Deixe claro que você de fato está caminhando em direção ao outro, ainda que dando algumas voltas a mais só pra ficar mais perto ainda depois. E não esqueça que jogo demais confunde e faz até perder o interesse. Se não é isso que você quer, brinque, mas faça o outro saber que vocês são parte do mesmo time e querem chegar ao mesmo lugar no final das contas.

Tease me!

Minha sugestão pros jogadores de plantão é: joguem com leveza, façam disso um strip-tease em que você se revela aos poucos. O objetivo é despertar a vontade de ver mais e, ao se mostrar, fazer com que o outro também se sinta à vontade para tirar algumas camadas de roupa.

Mostrar-se aos poucos ainda é mostrar-se, portanto, seja verdadeiro, autêntico e esteja certo de que você tem alguma coisa pra oferecer além da superfície.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fair play I

"Não atende! Deixa ele ligar mais duas vezes aí você liga de volta". "Não liga logo de cara, espera uns dois dias". "Deixa ele dar o primeiro passo". "Finge que você passou aqui por acaso". "Não beija logo de cara".

Alguém aí nunca proferiu ou escutou frases parecidas?

Jogar ou não jogar, eis a questão.

Tem gente que odeia joguinhos. Tem gente que não dá um passo que não seja extremamente calculado como se o amor fosse um tabuleiro de xadrez. A minha opinião? Bom, eu sempre olho os dois lados da moeda.

O que é inegável pra mim é que a conquista é um jogo. "Russian roulette is not the same without a gun. And baby when it's love if it's not rough it isn't fun". Ninguém gosta de nada fácil, é uma coisa do ser humano, especialmente dos homens, muito embora mulheres também não fiquem pra trás no quesito "quanto mais difícil melhor". Acredito que quando realmente nos interessamos, gostamos de descobrir, desbravar, conquistar, envolver o outro. Essa é a graça: ganhar o coração de quem desejamos e não tê-lo entregue por delivery, sem nem ter que sair de casa.

Ter uma pessoa que VOCÊ conquistou... alguém que não é qualquer pessoa que conquista faz de você alguém especial. Dentre todas as pessoas que "investiram" EU consegui. Sim, a psicanálise vai provar que no final das contas somos extremamente egoístas... Freud explica, não perguntem os porquês disso pra mim, porque a psicanálise destruiu todas as minhas ilusões mais puras, rs.

Eu me baseio em fatos. E o fato aqui é que, se algum leitor desse Blog não gostar de conquistar ou ser conquistado, ou gostar de alguma coisa fácil, terei que me admitir totalmente equivocada. E nesse ponto eu desafio vocês. Antes, uma observação importante: uma coisa é estar carente e querer um beijo na boca "aqui e agora". Isso não é conquista. E quem quer isso quer mesmo objetividade, preto no branco. Ninguém está tentando "encantar" o outro quando os fins são estrita e puramente físicos. O jogo da conquista pressupõe justamente o contrário: o encantamento.

Portanto, se você é contra o jogo do amor, sugiro continuar lendo e, quem sabe, rever seus conceitos e preconceitos.

Se não sabe brincar, não desce pro play!

O primeiro alerta: existe uma grande diferença entre "apimentar" a conquista ou fazer com que o outro se apaixone por você de novo no dia seguinte (a reconquista permanente, como no filme de Drew Barrimore "Como se fosse a primeira vez") e simplesmente querer manipular, dominar o outro, usá-lo para conquistar, preencher sua carência e massagear o seu ego, torturando seu "objeto" de conquista ao deixá-lo inseguro como forma de ter o controle do jogo até que você o tenha na palma da mão, quando então as coisas perdem a graça e você se cansa de brincar.


To be continued (...)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Se tiver que ser, VAI SER

Hoje é aniversário de casamento de uma amiga muito, muito querida. Aliás, como fui madrinha, vou comemorar a data contando pra vocês sua linda (e verídica) história de amor.

Para que vocês conheçam a história, para que vocês acreditem que o amor existe sim, mas sempre vem acompanhado de altos e baixos (e, por incrível que pareça, muitas vezes é o que faz valer a pena), e para que saibam que além de nada na vida ser por acaso, tudo que tiver que acontecer vai acontecer, mas somente na hora certa.

Bom, há dez anos atraz, quando Lili conheceu o amor da vida dela, o Lu, ela tinha 17 anos. Ficaram loucamente apaixonados e começaram a namorar. Em três semanas ela ficou grávida. Mas eles já não estavam mais juntos porque ela só descobriu a novidade na terça-feira seguinte ao sábado em que eles brigaram e terminaram (aliás, por fofoca de cidade pequena - um perigo).

Foi uma época muito dura. Enfrentar uma gravidez sozinha aos 17 anos não é mole. O cara acompanhava e participava de tudo e tal, mas não era a mesma coisa como ter um apoio exclusivo e em tempo integral. Enfim, nasceu a criança. E o momento que era pra ser o mais feliz na vida de Lili, foi manchado com a visita indesejada da namorada do pai da sua filha a tiracólo.

Um ano inteiro se passou. Lu ía visitar a criança quase todos os dias e os dois se davam muito bem como amigos. Até que, com essa convivência, o cara começou a conhecer Lili melhor. Livre de fofocas e estresses, ele a viu como mulher e como mãe da sua filha. E aí foi o reencontro deles. Após uma conversa informal, eles resolveram ficar juntos de novo. Ah, importante: por eles, e não pela filha. E depois de namorarem de novo, direito, se casaram com a filha deles como dama de honra (melhor impossível).

Pois é, e hoje eles não apenas continuam casados como também muito bem casados. Felizes. Com suas vidas encaminhadas, com mais uma filha e ainda um gato. Bem ao estilo comercial de margarina.
Na minha opinião, essa história prova que não importam quantas voltas o munde dê, o que tiver que ser vai ser.
E não importa o quanto você corra atrás ou lute contra. Se tiver que ser, vai ser m-e-s-m-o.


Uma declaração de amor

Esqueçam isso de faixa com "eu te amo", flores, etc e tal. A maior declaração de amor de todas é saber que o outro te ouve e ENTENDE ... especialmente quando você se acha uma louca de marte vivendo no planeta errado.

Essa semana eu recebi uma dessas declarações de amor inesperadas. Estava eu no meio das minhas divagações, meio que falando por falar... achando que eu estava num monólogo do tipo "to be or not to be", aí eu escuto: "adoro quando você fala em círculos e faz perfeito sentido".

Não é uma declaração de "amor romântico", já que foi um amigo que me conhece até do avesso quem falou isso. Mas esse é um belo exemplo sobre encontrar "forasteiros", que abordei no post Mesa Pra Dois.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quando foi a última vez que você virou abóbora ?

Já escrevi um post pensando sobre a possibilidade de pessoas mudarem. Conclusão: sim, a gente muda o tempo todo.


Mudar é simplesmente inevitável.

Mas a questão mais importante de todas é o jeito que você muda. Um pouquinho todo dia ou tu
do de uma vez? De Cinderela a abóbora no meio da noite ou sempre igual até que você percebe que chegou aos 80 totalmente diferente e nem se deu conta? Você prefere um caso previsível e morno ou uma paixão que te faz perder o rumo?



Amores previsíveis, de um lado, não despertam vida, não inspiram. São paisagens às quais nos acostumamos, são quadros que nem percebemos mais na parede, personagens que não nos incomodam nem nos estimulam. Apaixonar-se, por outro lado, é mais violento, mais perigoso... é quase como levar um murro na cara.

Sobre isso, no filme Tempo de Recomeçar (original Life as a House) Kevin Kline tem uma fala que adoro: "change can be so constant you don't even feel the difference until there is one.
It can be so slow that you don't even notice that your life is better or worse, until it is. Or it can just blow you away, make you something different in an instant. It happened to me."

Tempo de Recomeçar é meu filme preferido sobre mudança, porque passeia justamente sobre o equilíbrio entre crescermos e mudarmos pouco a pouco e a necessidade de sofrermos, vez por outra, uma mudança brusca, violenta, que nos faça recuperar a sensibilidade perdida pelos olhos acostumados a paisagem morna da vida.

E o amor e a paixão são assim uma montanha russa. É necessário que um complemente o outro porque o que mantém o interesse é a capacidade que os casais possuem de se reinventarem, o que mantém o desejo de estar com o outro é o sobe-e-desce entre a calmaria e a tempestade, a reconquista. Se só a paixão durasse pra sempre a emoção estaria perdida, porque viraria paisagem.

Amo você quando não é você


Há muito tempo atrás li num texto da Martha Medeiros a notícia de jornal sobre uma casal em crise que, em segredo, trocava e-mails com um pretendente virtual desconhecido usando pseudônimos. Cansados da monotonia um do outro e impulsionados pela percepção de que ainda eram interessantes e dignos de despertar o desejo e a atração em outras pessoas, na "traição virtual" eles eram totalmente diferentes do que eram no casamento: mais sedutores, vivos, ousados e, por isso, mais interessantes e apaixonáveis.

Imagina a surpresa quando cada um foi empolgadíssimo ao encontro secreto com seu amor e viram que, na verdade, estavam "interessados" um pelo outro sem saber. Cheios de moralismo separaram-se alegando infidelidade (por incrível que pareça!). Existe explicação pra isso?


Não há o menor mistério aqui. Já vimos essa história mil vezes. Se toda vez que encaramos um problema fugirmos com a desculpa de que a solução para um relacionamento cheio de obstáculos é ser feliz com outro alguém, pularemos de galho em galho pro resto da vida sem aprender nada, porque cada vez que nos depararmos com um problema, nos refugiaremos em algo novo, viveremos de novo a fase fácil da paixão e, em pouco tempo esbarraremos no mesmo problema, e aí começaremos tudo de novo com outra pessoa, num ciclo sem fim. Faz isso quem não emplaca em um namoro mais do que poucos meses, quem procura um amante quando a relação está monótona.


Relacionamentos não são a salada que nossa mãe fazia e a gente podia catar a cebola. Não dá pra viver só aquilo que gostamos sem olhar o outro. Sim: teremos noites de sexo, surpresas, felicidade. Mas também teremos momentos difíceis, tédio, monotonia.

Gostar do outro não pode ser uma obrigação, porque imposições eliminam o que é essencial na manutenção da alegria, do desejo, da sedução, do prazer: o ser espontâneo, a possibilidade de querer estar com o outro por escolha. E é por isso que a vida precisa ir além do outro e o namorado/marido/amante/caso não pode ser um objeto de realização nem a fonte inesgotável de felicidade.

O que eu quero dizer com isso? Não desista tão cedo, porque é possível apaixonar-se de novo pela mesma pessoa (a história do jornal tá aí pra provar isso). Não é sempre que é necessário trocar de príncipe para dar continuidade ao conto de fadas. Mas não podemos ser abóboras o tempo todo. O que mantém o brilho nos olhos é a mudança, a reviravolta, é dar ao outro a chance de surpreender, de ser quem a gente ainda não foi, e manter o interesse do outro mostrando que ele sempre vai ter alguma coisa pra descobrir em você, como um quebra-cabeças gigante, como as histórias das mil e uma noites que nunca terminam, que nos instigam a querer sempre mais.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O super sincero

Ela: Ai amor, tô me sentindo tão gordinha
Ele [distraida e inadvertidamente]: Emagrece então.

Cara, eu não sei porque os homens não aprendem que, HAJA O QUE HOUVER, eles jamais, em hipótese alguma, devem vacilar quando forem perguntados "você acha que eu tô gorda?".

Porque só existem duas respostas possíveis pra essa pergunta:

1. Claro que não!
2. Claro que não, você está gos-to-sa!

domingo, 29 de novembro de 2009

Síndrome do dedo podre


Há um problema recorrente entre meninas que desejam encontrar seu par: a síndrome do dedo podre. O diagnóstico: você, em termos de homens, só atrai psicóticos: ou são gays, casados, safados, cretinos, cafagestes, indisponíveis ou totalmente malucos!

Perguntei a uma amiga se existiria solução pro "azar" dessas pobres criaturas com superpoderes magnéticos para atrair problemas em vez de um bom "par". Mais uma pérola das amigas:

"Se mais de 90% das mulheres tem o dedo podre, significa que mais de 90% dos homens são 'podres'". Ou seja:n ão é muito difícil ter o dedo podre quando a probabilidade é de que a cada dez caras apenas um seja legal. Se essa premissa for verdadeira, o amor é praticamente uma loteria. Será?!

E se o problema não se resumir a dificuldade de encontrar um cara legal? Sei lá... ando desconfiada de que muito embora seja difícil topar na rua com um desses que fazem parte dos 10% legais, toda vez que uma amiga minha dá essa sorte, alguma atração muito mais irresistível pelo cara errado coloca tudo a perder.

É por essas e outras que dizem por aí que O AMOR É UMA FALÁCIA...

sábado, 28 de novembro de 2009

Sabedoria das amigas III

Sua amiga - que já saiu da faculdade - está te contando que começou a namorar um menino de 18 anos que ainda está no colégio(sic). Você faz cara de horrorizada, pergunta se o menino que tem que pedir pra mãe pra sair não seria muito imaturo pra um relacionamento.

É aí que uma terceira amiga encerra a conversa: "que nada... pra que se preocupar se o cara tem 15 ou 50... isso não faz a menor diferença, porque os homens nunca amadurecem anyway".

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sabedoria das amigas II

A gente passa a adolescência inteira sofrendo porque se acha feia para crescer e decobrir que homem pega qualquer bagulho.

Sabedoria das amigas I

Se sexo é vida, eu estou em coma.

Seus problemas acabaram!

De vez em quando eu brinco que qualquer dia desses serei presa por exercício ilegal da profissão de psicóloga, porque sempre tem um amigo(a) em alguma situação ruim que me pede conselho. E eu sempre tento ajudar, mas nunca sei se ajudo ou atrapalho ainda mais.

Os problemas são vários: a amiga que casou e se arrependeu, mas não consegue separar; a amiga que terminou o namoro mas não conseguia se desvincular do ex, mesmo não gostando mais dele; aquele que quer trair a namorada mas não sabe se quer terminar o namoro; alguém que precisa escolher entre aceitar o emprego dos sonhos ou rejeitá-lo pra ficar com o grande amor; o cara que é loucamente apaixonado pela namorada mas está sufocado pelo ciúme e fica naquele termina-volta.

Pessoas podem ter um milhão de problemas amorosos diferentes: ciúme, traição, solidão (inclusive a dois). No final das contas, tudo o que queremos é "consertar" as coisas, parar de sentir dor, saudade, carência, solidão, incerteza. Mas não sabemos como. Eu dificilmente tenho a resposta que as pessoas esperam ouvir. Primeiro porque eu não tenho a solução tipo comida congelada, que é só esquentar e tá pronta pra servir. Segundo que, ainda que eu tivesse, acredito que mesmo que todos os conselhos que eu sou capaz de dar sejam sensatos (nem é exatamente o caso), eu não posso assegurar que seguir um conselho sensato é garantia de felicidade e problemas resolvidos. Mais do que isso: quem garante que existe "o" caminho certo?

Se eu pudesse dar apenas um diagnóstico sobre um relacionamento problemático, independente do drama em questão, acho que seria "o problema é você e não o outro". A culpa de nos sentirmos tristes não é do ex que não nos quer mais, não é de quem nos traiu e por quem seguimos apaixonados. Essa culpa não é do casamento que insistimos em manter sem amor, nos sentindo culpados por desejar outras pessoas. A culpa não é do cara que não faz as escolhas que você gostaria, nem da mulher que não controla o próprio ciúme. A culpa não é da indecisão do homem que enrola pra namorar, casar ou ter filhos.

Todos os dias nos é dada a opção de refazer nossas escolhas. Precisamos entender que, de fato, NÃO SE PODE TER TUDO, na grande maioria das vezes. Existe um mundo de possibilidades, mas temos medo de abrir a porta que nos leva até ele. Dizemos aos quatro ventos que queremos a tal liberdade quando, na verdade, já somos livres o tempo todo- pra recomeçar, pra dar um basta, pra dizer não, pra experimentar, pra virar a mesa, pra se permitir mais, pra dizer pro outro o que queremos, pra dizer não. E, livres, ficamos apavorados diante da idéia de que somos também responsáveis por nossas escolhas. O medo paralisa, acomoda ao ponto em que não coseguimos deixar "tudo" pra trás, mesmo quando tudo o que temos não significa absolutamente nada do que queremos ter.

Pode ser que, nesse momento, você esteja pensando "muito lindo mas...como é que a gente escolhe de verdade? Aliás, como saber se escolhemos de verdade? ?"

Quem escolhe o caminho A e se dá mal sempre fica achando que o caminho B seria melhor. Quem escolhe C e acha que foi o caminho certo nunca vai saber se o D não seria ainda melhor. E esse é o "problema" da vida. Não existe garantia.

Se você está solteira e "escolheu" dizer SIM não vai ficar pensando coisas como "eu devia ter esperado passar o carnaval". Você não vai, na primeira briga, pensar que devia ter namorado o Zezinho e não o Luizinho. Nem vai fazer comparações de como teria sido o caminho que você não tomou.

Enfim: Quando você escolhe DE VERDADE o resto fica pra trás. Você encara a sua opção sem desculpas e tenta dar o máximo de si naquilo que se propôs a fazer. Não importa se a escolha em questão é se separar, dizer SIM, dar um basta em um namoro cômodo ou simplesmente assumir uma solteirice e se dar um tempo sem se preocupar com o que os outros vão pensar.

Que fique claro que se decidir entre comer uma maçã e uma laranja depois do almoço não é fazer uma escolha. Se te perguntam se você quer trocar 1 milhão de dólares por um tomate podre, isso também não é escolha. No final das contas importa mesmo é escolher. E escolher de verdade é difícil, porque pressupõe assumir os riscos e, principalmente, significa deixar alguma coisa sabendo que não será possível voltar. Mais ainda: escolher é abandonar tudo aquilo que não foi escolhido, sem olhar pra trás.

Pra simplificar a vida, no final das contas, temos só duas opções: deixar a vida "escolher" por nós ou assumir o controle e fazermos nossas próprias escolhas.

Por isso, a solução tabajara para todos os seus problemas é: ESCOLHA!

And whatever you wanna do... just do it!

domingo, 22 de novembro de 2009

Cenas de um reencontro com o ex

É sexta-feira, você está alegre e distraída quando, de repente, encontra o seu ex:


As pernas tremem quando você o vê. É assustador descobrir que mesmo depois de tanto tempo sem contato você não consegue controlar isso e, pior, você não fazia a menor idéia de que seria assim um reencontro que não durou mais do que segundos num contrafluxo de uma escada rolante.

Você, sozinha. Ele de mãos dadas com uma menina que você não conhece. Sua amiga te consola dizendo que você é mais bonita, que você tem mais estilo e se veste melhor. Mas nada disso importa, porque o que te faz sentir de um jeito que você não sabe explicar (se triste, com ciúme, com inveja ou simplesmente "estranha") é o fato de que ELA está ali de mãos dadas com ele e não você.


Você desistiu de tentar brincar de ser feliz.


Muitos sentimentos confusos vêm à tona. Você queria poder dizer que ele está enganado por pensar que você mudou tanto quanto ele imagina, porque o que os outros vêem agora é só uma couraça construída pelo orgulho, isso é tudo o que ele poderia enxergar de longe. Por trás disso, você está lá inteira e a mesma.


Enquanto suas pernas tremem você não consegue pensar. E de repente você se vê paralisada por um único pensamento no meio desse turbilhão: as coisas jamais serão iguais. Você já sabia disso?


Ressuscitar velhos fantasmas nunca é bom, a menos que o objetivo seja liquidar questões mal resolvidas. Qualquer que seja o sentimento - ódio, rancor, orgulho, um amor que persiste, saudade, carência - lembre-se sempre: ex por definição é algo que já foi... é aquilo que NÃO é mais. Se fosse pra ser, não seria ex... e se é ex é porque por algum motivo o relacionamento se mostrou inviável.

Haja o que houver, respire fundo, levante a cabeça e jamais pense em andar pra trás... siga em frente. Lembre-se da filosofia de bar da minha amiga recém separada:

"Eu tinha medo de me separar do meu marido "bonzinho" porque minha mãe martelava sem parar que 'a gente nunca sabe o que tem a
té perder'. Quando eu finalmente tomei coragem e separei, conheci um cara absolutamente incrível e surpreendente e descobri o outro lado dessa moeda: a gente também nunca sabe o que está perdendo até encontrar". PS.: Antes que alguém ache que virei viúva negra: ex bom é ex morto no sentido de "virar passado", ok?


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escrevendo certo por linhas tortas

Por incrível que pareça, assim como o melhor forma de encontrar algo que você perdeu é procurar outra coisa (e funciona!), nos relacionamentos a menor distância entre dois pontos (ela com roupa e ela sem roupa) nem sempre é uma reta.

Como assim Bial?!

É fato que os homens pensam e querem sexo numa proporção consideravelmente maior que a média das mulheres. E sabemos que muitos reclamam que não damos conta. E, em vez de reclamar, se vocês meninos passarem a olhar por uma nova ótica, vão perceber que a melhor maneira de pedir "sexo" é oferecer qualquer coisa que não seja sexo!

Como?!

Mulheres são seres geralmente carentes: de elogio, de carinho, de romance. E tem dia que a única coisa que queremos é atenção, colo e cafuné ou ajuda pra lavar a louça da pia. Vocês não imaginam, aliás, como ver você lavando a louça num dia em que estamos exaustas pode espantar a "dor de cabeça". Se você, em vez de chegar e nos jogar na cama ou pior, assitir jornal e futebol nos ignorando solenemente pra logo depois querer sexo, fizer algo simples como chegar perto só pra conversar, fazer uma massagem e dar carinho, nada impede (e essa é a tendência...) que no momento seguinte a gente queira sexo!

Tá na dúvida? Experimente os dois caminhos e depois verifique estatisticamente qual deles te levou a Roma.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Em busca da Terra do Nunca

Possivelmente você já ouviu por aí o mantra "homens nunca crescem". Yes, mulheres procuram homens maduros! O que é, afinal, um homem maduro? Você diria que é um cara responsável, que não faz coisas "infantis"? Ou ainda um cara que saiba o que quer da vida, ou que não tenha medo de compromisso, que seja prudente, seguro, com emprego estável?

Você está procurando um homem com o perfil acima? Você acha que coisas como casar, completar a educação, ter um filho ou sair de casa são sinal da "maturidade"?. Pois eu disconcordo!

Homem sério e seguro? Prefiro um homem menino, que não seja sério o tempo todo, que se permita errar, que admita que sente medo (de casar, de ter filhos, de perder o emprego...) porque sabe que a realidade não é estanque, que a vida é incerta e que segurança é uma ilusão, porque isso sinaliza que ele tem medo, na verdade, de se acomodar, porque quer ter coragem de mudar quando estiver infeliz, porque quer ter a opção de não abandonar o videogame ou qualquer outra coisa "infantil" que o faça feliz só pra se adequar a imagem de "adulto" que mantém as aparências.

Mulheres também tem medo de casamento (não pensem que não!). E vai ver, é justamente por isso que queremos que os homens se mostrem seguros de sua decisão (por eles e por nós mesmas). Temos medo porque, no fundo, ninguém sabe o que vai querer ser pelos próximos 20 anos, e quando somos forçados a comprometer um futuro afetivo ou profissional por um prazo tão longo, sempre nos perguntamos se vai dar certo, como saberemos hoje o que vamos querer pro resto da vida, e isso assusta mesmo. O medo não precisa fazer ninguém desistir de casar, mas, não seria melhor aceitarmos que esse medo é, na verdade, um convite a cobrarmos menos um do outro, vivendo cada dia de uma vez, sem exigir essa segurança inabalável como se insegurança fosse sinal de falta de amor?

Mulheres tem essa mania de querer um homem que preencha todos os requisitos, que lhe dê segurança, que preencha sua própria existência, como se alguém fosse capaz de fazer isso por nós. E adivinha só: não é! Aliás, o que sobra de um homem que, pra lhe dar tudo o que você exige, tem que trabalhar dobrado, estar sempre a postos, assumir todas as responsabilidades e, enfim, viver pra preencher sua vida? Acho que não sobra muito...

Prefiro homens que podem não saber o que querem ser aos 20, aos 30 anos, porque talvez não consigam se encaixar no padrão social vigente, mas que sabem ser eles mesmos e sabem que tudo o que importa e a maior responsabilidade que temos é ser felizes e fazer felizes as pessoas que amamos.

Prefiro homens que sejam capazes de rir de si mesmos, que não sejam tão prudentes a ponto de se tornem incapazes de fazer coisas não planejadas, de serem espontâneos, de realizar um sonho, de mudar de vida, de viver uma aventura, de se arriscarem a viver a própria vida, de mudar de país, de emprego - tudo isso pra seguir o coração (de menino), mesmo quando aos olhos alheios não pareça a coisa mais prudente a se fazer.

Prefiro um homem que pode até não ter um emprego estável, mas ama aquilo que faz e se sente feliz e realizado quando chega do trabalho, porque isso é muito melhor do que ter ao lado alguém que odeia seu emprego "estável", se estressa e reclama o tempo todo, mas é incapaz de sair da posição de conforto e se torna um adulto medíocre.

Existem vários tipos de maturidade. E o homem maduro que eu gostaria de encontrar é, na verdade, aquele que entendeu que envelhecer e conservar o coração de menino não é se recusar a crescer ou amadurecer. Pode parecer meio contraditório - e é mesmo - mas, pra mim, quanto mais menino um homem for, mais maduro ele será.

Homens incapazes de alimentar sua criança interior se tornam adultos modificados pelo entorno, que tem medo de brincar e agir como criança, medo do que os outros vão pensar. Do lado de fora podem parecer sérios, seguros, maduros. Mas, na essência, não são nada além de homens que só cresceram em tamanho e em quem meninos de cinco aninhos são capazes de dar um banho.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Namorar é...

Sempre fui uma menina de namorar. E desde que tive o primeiro namorado, aos 18 anos, é a primeira vez em muito tempo que fico sozinha por uma longa temporada. Os últimos 11 meses de solteirice foram um período incrível de auto-conhecimento, de curtir a família, os amigos e a mim mesma. Fiz sozinha um monte de coisas que muita gente só aproveita quando tem companhia: viagem de mochilão, cinema, restaurante, corrida, teatro, dança...

Durante muito tempo eu não conseguia me ver "apaixonada" novamente, uma sensação rara pra alguém que sempre esteve apaixonada desde os 18. E, dia desses, lia um blog na internet em que o autor fazia uma brincadeira com a antiga série "amar é...", traduzindo para o hoje em "namorar é...".

Lendo "namorar é..." pela primeira vez em muito tempo acordei desse longo inverno e voltei a sentir saudade de fazer preguiça a dois, ver filme e comer chocolate em domingo de chuva, planejar viagens, surpresas, jantares românticos e coisas simples que feitas ao lado "dele" fazem toda diferença .

Aliás, só um coração de pedra não teria vontade nenhuma de se apaixonar depois de ler "namorar é...":

Namorar é… sorrir enquanto ela decide com qual roupa vai sair, pois você sabe que ela fica mesmo linda quando se veste com seu lençol.

Namorar é… ter pra quem entregar aquele presente simples que você sabe que faria qualquer mulher feliz, mas que não queria dar pra uma amiga.

Namorar é… consultar a agenda de dança porque música, teatro, cinema, exposição e restaurantes já foram usados como desculpa para vê-la.

Namorar é… aprender a arte de chegar atrasado e até não ir em peças, shows e festas, deixando morrer com gosto o ingresso na carteira.

Namorar é… amar silenciosamente no escuro, sem nenhuma garantia de que o outro realmente está perto de você.

Namorar é… fazer uma compra adicional toda semana, levando só damascos, castanhas, queijos, chocolates e vinho (ok, água sanitária também).

Namorar é… se perder em palavras, jogos de linguagem, metáforas, gestos, imagens, cenas. Confundir arte e vida, ator e personagem.

Namorar é… ignorar o elevador e subir 6 andares de escada só porque demora mais, não tem câmera e é mais “divertido”.

Namorar é… ter um motivo para ir ao show do Radiohead MUITO mais importante do que o próprio Radiohead.

Namorar é… se assustar ao ver brincadeiras e ideias malucas virando realidade. “Vamos…?”. Basta o outro dizer “Sim”. Basta isso.

Namorar é… parar, realmente parar. Não fazer nada (nem mesmo nada fazer). A dois, claro.

Namorar é… acordar sozinho com um único pensamento: “Por que mesmo eu não a chamei para dormir aqui?”.

Namorar é… atualizar um Gdoc com anotações e links divididos em “restaurantes”, “locais para dançar”, “ideias” e “presentes”.

Namorar é… ter tempo, muito tempo. Tempo inclusive para fingir não tê-lo, se apressar e fazer caber uma noite em um minuto.

Namorar é… sonhar com uma mulher linda andando ao seu redor, acordar tentando voltar para o sonho e se dar conta que não precisa.

Namorar é… usar email, twitter, blog, sms, caderninho, espelho do banheiro e até google calendar pra deixar recado um para o outro.

Namorar é… escrever no Twitter para 1228 pessoas e ter a certeza de que somente uma entenderá.

Namorar é… continuar com as (deliciosas) one-night stands de solteiro e, depois de anos, perceber que estava saindo com apenas uma pessoa.

sábado, 7 de novembro de 2009

Do que as mulheres gostam


Você anda meio perdido ou desesperado com mulheres altamente exigentes e já não sabe o que fazer para conquistar aquela mulher por quem você está irremediavelmente apaixonado? Acha que chegamos a um ponto em que ninguém mais sabe muito bem o que as mulheres querem (nem elas mesmas)? Não sabe como fazê-la parar de pensar no "senhor perfeitinho" e olhar você, homem de carne e osso?

Fiz uma humilde pesquisa aleatória pra tentar descobrir qual seria a característica masculina mais valorizada. Sabem o que descobri? Indepentende do estilo da mulher (aventureira, patricinha, workaholic, intelectual, esportista ...) todas gostaríamos de ter por perto homens decididos!

É muito simples: somos mais duronas e mais independentes do que éramos. A gente finge que não liga, mas somos capazes de mover mundos e fundos por um homem que sabe o que quer. Nos derretemos por completo por um cara que sorri totalmente seguro de si diretamente para nós.

Quer começar com o pé direito? Então esqueça de uma vez por todas o abominável "tanto faz, o que você quiser/preferir"! Yes, somos flexíveis, mas deixar que a gente escolha o lugar do primeiro enconto, o filme, o destino de viagem e todo o resto é absolutamente irritante. "Você que sabe", pra nós, significa "eu não tenho iniciativa e não sei o que quero" ou, "quero agradar você mas não quero ter trabalho de pensar".

Você duvida? Pergunte a qualquer mulher em qualquer esquina o que ela acharia, por exemplo, de um cara que a convida pra jantar (no primeiro encontro, no aniversário dela, no dias dos namorados ou qualquer outra data) e ao ouvir dela um "onde vamos?" ele responde "tanto faz". Arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrgh, que falta de atitudeeeeeeeeee.

Você pode não ser o mais maduro, bonito ou independente dos caras, mas, se for um homem decidido, você estará mais do que meio caminho andado, porque uma coisa é fato: um homem que sabe o que quer geralmene não ouve um NÃO, porque eles não sugerem, fazem. Homens decididos nos tomam de surpresa e nos levam sem a gente perceber! Porque, às vezes, não queremos uma sugestão ou um convite, queremos apenas que vocês nos agarrem pela mão e nos conduzam. Simples assim!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A verdade nua e crua



Fim de feriado e lá fui eu ver mais um filme mamão com açúcar. Saí do cinema pensando que tinha sido mais um roteiro escrito por um homem, a julgar pelas piadas e o vocabulário. Mas, surpreeendentemente, o roteiro foi escrito - acreditem - por três mulheres.

Afinal de contas, o que mudou? "The Ugly Truth", cheio de frases com blowjobs, cock e outras "vulgaridades" realmente definem o imaginário de um homem moderno? Ou será que, escrito por mulheres, é apenas um exagero proposital para dizer que as mulheres estão cansadas dos metrossexuais, tipo o "Sr. Perfeitinho" que tá sempre limpinho, pele hidratada, barba bem feita, com a cartilha "como ser um romântico" decorada?

Depois de um filme como esse, pergunto: ser bonito, mandar flores, cartões, fazer declarações de amor, ser bom motorista, ter um bom emprego, fazer tudo certo e ter a vida "estabilizada" (o que quer que signifique isso) parecem ser as características de um homem que nenhuma mulher dispensaria, certo? Se tal homem existe, imagine agora como seria a sua vida com ele.

Pra mim, soa fake como comercial de margarina. Aliás, eu nunca vou entender a relação que fazem entre um pote de plástico de gordura hidrogenada e a família perfeita e feliz! Alguém sabe explicar?!

A verdade nua e crua é simples: o homem perfeito não é um checklist. Temos que aceitar isso. Aliás, temos que aceitar que não existe homem perfeito, estamos todos longe de ser normais ou perfeitos porque esses são conceitos nos quais é impossível enquadrar seres humanos, porque cada um é único. As qualidades que nunca incluímos no checklist do homem perfeito costumam ser exatamente aquilo que falta pra começar, pra continuar, pra dar certo.

Não existe (ainda bem!) um homem perfeito, mas existe SIM um homem que pode ser "perfeito" pra você: um homem de carne e osso, que reúne aquilo que é essencial pra manter o brilho nos seus olhos quando ele te abraçar de manhã e, sem dizer nada, demonstrar o quanto ele gosta de você, MESMO quando você está descabelada e com a cara amassada. Pra encontrar esse homem, no entanto, é preciso querer parar de navegar indefinidamente na superfície das coisas e das pessoas e se jogar! E é preciso jogar fora a lista de exigências e simplesmente se permitir.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pequeno dicionário de significados

Recebi alguns novos significados para palavras muito usadas neste Blog. Minha única conclusão até agora é de que preciso rever meus conceitos.... ainda estou pensando a respeito. O que vocês acham?

INDIFERENÇA
Atitude que uma mulher adota perante um homem que não lhe interessa, que é interpretada pelo homem como se estivesse 'se fazendo de difícil'.

AMOR
Enfermidade temporária que se cura com o casamento. Palavra de quatro letras, duas vogais e dois idiotas. [pra quem acha que p amor é uma falácia, cai como uma luva!]

NINFOMANÍACA
Termo com o qual um homem define uma mulher que deseja fazer sexo mais vezes que ele. [Luca, qual o seu veredito?]

DOR DE CABEÇA
Anticonceptivo mais usado pela mulher destes tempos.


VIRGEM
Menina de 9 anos, muito feia, que corre mais que o primo. [gente, o mundo tá assim mesmo?!]

CONFIANÇA
Via livre que se dá a uma pessoa para que cometa uma série de abusos.

LÍNGUA
Órgão sexual que os antigos usavam para falar.

FÁCIL
Diz-se da mulher que tem a moral sexual de um homem.

HOMEM
Ser masculino que durante seus primeiros nove meses de vida quer sair de um lugar em que tenta entrar pelo resto de sua vida.


INTELECTUAL
Indivíduo capaz de pensar por mais de duas horas em algo que não seja
sexo.

sábado, 3 de outubro de 2009

Homens criativos, cantadas criativas



Você está conversando normalmente com um carinha com quem você não fala há séculos... pulam de um assunto para outro. E aí ele de repente começa a falar das ações da empresa em que você trabalha. Quando você acha que se trata de uma animada conversa sobre o mercado de ações, ele diz:

_ Será que se eu comprar ações da sua empresa você também vai ser minha? Quer dizer: terei algum direito sobre você?

(silêncio)....

Well... my dear, eu sou uma sociedade limitada, não sou S.A....

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aí...

você enche o saco da pessoa para ela sair com você.
vocês trabalham no mesmo lugar, e isto se torna um obstáculo.
Mas você consegue convence-la assim mesmo.
é tudo maravilhoso, com direito a finais de semana românticos.
Mas você enjoa e não quer mais.
...que tal avisar à pessoa sobre esse fato novo, heim???

Sério! É muito difícil chegar e dizer "não rola mais"?
Isso é, realmente, pior do que criar o maior climão?

Bom, e é que eu não sei porque ainda questiono...

Serendipity



Eu era um ser híbrido, estranho e paradoxal: tinha uma mente objetiva típica dos homens, mas quando o negócio era relacionamento, vivia com a expectativa de viver meu próprio conto de fadas. Sei que não parece, mas já fui romântica e ingênua.

Depois de devidamente apresentada ao mundo do "a vida como ela é", meus pés começaram a ficar mais grudados no chão. Não se pode dizer que eu acho todos os homens iguais - acredite, eles não são! - e muito menos que sou pessimista, pelo contrário: minha amiga Luca tá aqui pra provar o quão irritantemente otimista eu posso ser.

Apesar de otimista, deixei de acreditar em coincidências absurdas, encontros e desencontros impossíveis, o que me deixava meio triste às vezes, como quando eu era criança e fui a primeira a descobrir que papai Noel não existia e ficava olhando triste a felicidade das crianças esperando pelo papai Noel na noite de Natal, sabendo que ele jamais chegaria pra mim.

Foi aí que peguei uma mochila, viajei sozinha pra outro país e conheci um menino. Fizemos amizade e passamos uma semana na mesma cidade, mas depois seguimos caminhos diferentes (acho que um gostando do outro de um jeito especial).

Andei 2 mil quilômetros em uma direção e ele em outra. Tuuuuuuuudo o que podia dar errado deu. Ônibus quebrado, Ipods roubados, mudança de itinerário, trem perdido, mudança de voos e mudança total de planos. Mesmo assim, ele resolveu ir atrás de mim na cidade em que ele sabia que eu estaria. Imaginem só o susto quando do nada, num metrô que tem SEIS LINHAS (aquele emaranhado em que encontrar alguém que ainda por cima está procurando por você é mais difícil que achar uma agulha no palheiro) nos encontramos na integração, quando ele já tinha desistido de um milagre e não sabia mais como me encontrar e ainda achava que eu poderia já ter embarcado de volta pro Brasil!

Entrei EXATAMENTE no vagão em que ele estava. Só porque tudo tinha dado errado pra mim naquele dia eu fui parar naquele EXATO lugar, naquela EXATA hora.

Viver sua própria conjunção estelar é uma experiência que pode não recuperar a inocência e o romantismo roubados. Mas, quando todo mundo ao seu redor te faz perder certas esperanças, nenhuma sensação é tão boa quanto a de viver uma coisa que você jurava que era impossível, do tipo "escrito nas estrelas"... só pra lembrar a si mesma que alguns "impossíveis" não são assim tão impossíveis.

Quando eu vi aquela cara de "não acredito" e uma felicidade incontida, não me importava o que ia acontecer dali pra frente, nem o fato de que aquele menino provavelmente não era o amor da minha vida. Eu só me senti grata por ver que o universo inteiro ainda pode conspirar a favor de alguém, mesmo que só por um dia. YES, o mundo lá fora continua difícil, amores perfeitos não caem do céu e romances da vida real não são como os das novelas.

Mas é bom poder lembrar que TUDO é possível, inclusive encontrar o amor da sua vida, ou viver coincidências incríveis e ter boas surpresas quando você menos espera.

Experiências assim geram um lembrete dentro da gente que fica repetindo, vez por outra, que de alguma forma, eu ainda devo acreditar...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Na praia


Ler Ian McEwan pode ser uma tarefa difícil dependendo do seu estado de espírito. Eu por, exemplo, tive que ler Na Praia duas vezes para conseguir absorver a história e gostar dela. É estranho dizer, mas quando li da primeira vez estava feliz demais para entender os diálogos fortes, tristes e difíceis entre Edward e Florence. Da segunda vez, cada palavra lida me deixava suspensa, quase sem respirar.

E foi na releitura que, ao fechar a última página, entendi do que se trata o livro. McEwan deixa no ar uma pergunta que sempre me perturbou e pra qual eu acho que muita gente não teria uma resposta: de todas as pessoas que fizeram parte da sua vida, será que alguma delas haveria de ser afinal aquela capaz de acabar com esse eterno ciclo de experimentação?

Será que estivemos tão perto dessa pessoa e a afastamos por uma razão idiota, por precipitação, por imaturidade, por palavras ditas na hora errada e do jeito errado e com uma agressividade desnecessária, por medo, por engano? Como entender o valor do que se tem agora e não depois que já perdemos? Como abandonar o "se eu não tivesse dito aquilo, se eu não tivesse feito..."

O ritmo dos relacionamentos hoje é frenético e é certo que temos mais namorados(as) durante nossas vidas que nossos pais e avós tiveram. Naquele velho esquema "otimista" de que algumas coisas boas se perderam, mas também ganhamos outras, acho que o pior de agora é que a velocidade e o entra-e-sai de relacionamentos às vezes faz com que tudo vire paisagem. Estamos fazendo número e isso faz muitos sentirem que estão aproveitando bem o seu tempo, mas a maioria das relações é superficial e não acrescenta quase nada. Temos pouco tempo o pouca disposição e paciência para conhecer o outro e permitir que o outro nos conheça.

Mas, o lado bom dessa história é que, pelo menos, saímos da era em que as pessoas se juntavam pela necessidade de ter filhos para um tempo em que as pessoas ficam juntas apenas pela necessidade de gostar e ser gostado. As mulheres, especialmente, se reinventaram, se libertaram das convenções.

E o que permanece igual nessa dinâmica? Bom, se você também leu Na Praia e se sentiu triste com o final de McEwan, significa que, no fundo, continua com aquela pontinha de esperança de que dentre o muitos que passaram e poderão passar por sua vida e te fazer feliz por algum tempo, você possa encontrar aquele(a) que seja capaz de calar essa pergunta, de acrescentar algo, de te fazer querer viver de uma forma mais intensa, que justifique sua existência.

Sorte daqueles que já tem uma resposta para a pergunta de McEwan... Eu acho que ainda tô longe de ter.