sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mentes perigosas in love


Lendo o livro "Mentes Perigosas" me veio uma revelação um tanto quanto assustadora: a ideia de associar psicopatas a pessoas violentas e com aparência de assassinas, serial killers facilmente identificáveis a olho nu, está totalmente equivocada. Na verdade, todo serial killer é um psicopata, mas apenas 10% dos psicopatas tornam-se serial killers. Ou seja: à primeira vista, psicopatas são gente igual a gente, pessoas que andam tranquilamente nas ruas, cruzam nosso caminho, frequentam as mesmas festas, estudam, trabalham, casam e até tem filhos.

Segundo a autora do livro, Ana Beatriz Barbosa Silva, 4% da população mundial é psicopata: 3% são homens e 1% mulher. Ou seja, a cada 25 pessoas, uma é psicopata! Fiquei pensando em como o perigo, nesses casos, pode morar ao lado. A maioria dos psicopatas nunca vai matar alguém, mas a destruição que eles provocam (muita vezes sem deixar rastros) pode ser de proporções tão grandes quanto um homicídio qualificado.

Ciúmes, brigas e relacionamentos conturbados tornaram-se praticamente a regra e muita gente passou a aceitar que o "amor" é desculpa pra fazer todo tipo de coisa - tudo em nome do amor. Talvez por isso, muitas pessoas não vão perceber quando estiverem se relacionando com um psicopata (que Deus nos proteja!). O psicopata é basicamente um indivíduo com uma elevadíssima capacidade racional e uma baixíssima ou quase nenhuma capacidade emocional. Acho que por esta razão, o jeito mais fácil de identificá-los não é nas relações profissionais, mas nas afetivas (amizade, namoro etc.), já que psicopatas costumam possuir um problema crônico de baixa auto-estima e são totalmente incapazes de amar de verdade.

Pra você que ficou um tanto quanto assustado (como eu fiquei), aí vão alguns dos "sintomas" e "características" mais comuns dos psicopatas descritos no livro.
  • Poder de destruição: psicopatas são capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus próprios interesses. “Eles podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas [em sua maioria] não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados".
  • Consciência: os psicopatas têm total ciência dos seus atos - sua parte cognitiva ou racional é perfeita -, ou seja, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e por que estão fazendo. Quanto aos sentimentos, porém, são absolutamente deficitários, pobres, ausentes de afeto e de profundidade emocional. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravessa o seu caminho, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo.
  • Mentirosos Patológicos: em geral são pessoas sedutoras, envolventes, que articulam bem, sabem inventar histórias como ninguém, e contam mentiras de uma maneira que todos podem jurar que é mesmo verdade, e sustentam essa mentira, sem se abalar mesmo se forem desmascarados. Para eles a realidade e a ilusão fundem-se num só conceito pelo qual regem o seu mundo. Não mentem apenas para fugirem de uma situação constrangedora, mas pura e simplesmente porque não sabem viver sem mentir. Descaradamente, inventam outra mentira para justificar a anterior e vão em frente; porém, podem perder o controle em situações banais, demonstrando seu desequilíbrio emocional através da agressividade ou da chantagem emocional (crises exageradas de choro) para chamar a atenção e despertar compaixão no outro.
  • Ausência de culpa: são egocêntricos e só conseguem visualizar suas próprias necessidades; são manipuladores, perversos, desprovidos de culpa, remorso ou arrependimento e podem dormir tranquilos e serenos, mesmo tendo ferrado completamente a vida de alguém, física ou mentalmente, afinal, os outros é que são os culpados. Costuma fintar até o teste do polígrafo, porque o seu ritmo cardíaco não se altera quando profere mentiras e nem quando comete crimes.
  • Falso amigo: Sempre usam da ingenuidade e fragilidade emocional das suas vítimas; costumam elogiar muito e cometer excessos de gentilezas e nunca temem pela punição por ter a certeza que tudo o que fazem tem um propósito benéfico (para eles, claro!), embora tenham a noção de que os seus atos são anti-sociais. Quando denunciados, recusam reabilitação ou qualquer tratamento e, na impossibilidade de fugir, simulam uma mudança de caráter, para mais tarde voltar aos padrões comportamentais que lhe são característicos e até se vingarem de quem os tentou ajudar! (ai, credo!)

  • Amoralidade: psicopatas são portadores de grande insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem como noção de ética.

  • Manipulação e Egoísmo: desde que ele estejam bem, o resto do mundo não lhes interessa. O psicopata é um indivíduo extremamente manipulador que usa o seu encanto para atingir os seus objetivos, nunca pensando nas emoções alheias. Não reconhece a dor que provoca nos outros e por isso, usa as pessoas como peões, objetos que pode pôr e dispor conforme lhe convêm. Manifesta facilidade em lidar com as palavras e convencer as pessoas mais vulneráveis a entrarem no “jogo” dele. Querem controlar todos os relacionamentos, impedindo que familiares e amigos confraternizem paralelamente, sem a sua presença. Para tal recorrem as esquemas, intrigas e claro, ao seu charme para se fingir amigo.
Para mim esse é um livro perturbador, afinal, não é nada reconfortante descobrir o quanto é difícil perceber quando estamos correndo risco de ser a próxima vítima. Mas, ao mesmo tempo, acho também que todos deveriam lê-lo, já que a única arma possível para nos defendermos dos psicopatas é justamente a possibilidade de reconhecer um.

Se depois de ler tudo isso você desconfia que está se relacionando com um psicopata "amigo", ou um psicopata "namorado/peguete", um conselho: saia correndo agora mesmo! Quanto mais longe de um psicopata você estiver , melhor.

Um comentário:

  1. Fantástico... adorei este post. Vim à net mesmo à procura disto.

    Abraço

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