quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Serendipity



Eu era um ser híbrido, estranho e paradoxal: tinha uma mente objetiva típica dos homens, mas quando o negócio era relacionamento, vivia com a expectativa de viver meu próprio conto de fadas. Sei que não parece, mas já fui romântica e ingênua.

Depois de devidamente apresentada ao mundo do "a vida como ela é", meus pés começaram a ficar mais grudados no chão. Não se pode dizer que eu acho todos os homens iguais - acredite, eles não são! - e muito menos que sou pessimista, pelo contrário: minha amiga Luca tá aqui pra provar o quão irritantemente otimista eu posso ser.

Apesar de otimista, deixei de acreditar em coincidências absurdas, encontros e desencontros impossíveis, o que me deixava meio triste às vezes, como quando eu era criança e fui a primeira a descobrir que papai Noel não existia e ficava olhando triste a felicidade das crianças esperando pelo papai Noel na noite de Natal, sabendo que ele jamais chegaria pra mim.

Foi aí que peguei uma mochila, viajei sozinha pra outro país e conheci um menino. Fizemos amizade e passamos uma semana na mesma cidade, mas depois seguimos caminhos diferentes (acho que um gostando do outro de um jeito especial).

Andei 2 mil quilômetros em uma direção e ele em outra. Tuuuuuuuudo o que podia dar errado deu. Ônibus quebrado, Ipods roubados, mudança de itinerário, trem perdido, mudança de voos e mudança total de planos. Mesmo assim, ele resolveu ir atrás de mim na cidade em que ele sabia que eu estaria. Imaginem só o susto quando do nada, num metrô que tem SEIS LINHAS (aquele emaranhado em que encontrar alguém que ainda por cima está procurando por você é mais difícil que achar uma agulha no palheiro) nos encontramos na integração, quando ele já tinha desistido de um milagre e não sabia mais como me encontrar e ainda achava que eu poderia já ter embarcado de volta pro Brasil!

Entrei EXATAMENTE no vagão em que ele estava. Só porque tudo tinha dado errado pra mim naquele dia eu fui parar naquele EXATO lugar, naquela EXATA hora.

Viver sua própria conjunção estelar é uma experiência que pode não recuperar a inocência e o romantismo roubados. Mas, quando todo mundo ao seu redor te faz perder certas esperanças, nenhuma sensação é tão boa quanto a de viver uma coisa que você jurava que era impossível, do tipo "escrito nas estrelas"... só pra lembrar a si mesma que alguns "impossíveis" não são assim tão impossíveis.

Quando eu vi aquela cara de "não acredito" e uma felicidade incontida, não me importava o que ia acontecer dali pra frente, nem o fato de que aquele menino provavelmente não era o amor da minha vida. Eu só me senti grata por ver que o universo inteiro ainda pode conspirar a favor de alguém, mesmo que só por um dia. YES, o mundo lá fora continua difícil, amores perfeitos não caem do céu e romances da vida real não são como os das novelas.

Mas é bom poder lembrar que TUDO é possível, inclusive encontrar o amor da sua vida, ou viver coincidências incríveis e ter boas surpresas quando você menos espera.

Experiências assim geram um lembrete dentro da gente que fica repetindo, vez por outra, que de alguma forma, eu ainda devo acreditar...

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