segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Namorar é...

Sempre fui uma menina de namorar. E desde que tive o primeiro namorado, aos 18 anos, é a primeira vez em muito tempo que fico sozinha por uma longa temporada. Os últimos 11 meses de solteirice foram um período incrível de auto-conhecimento, de curtir a família, os amigos e a mim mesma. Fiz sozinha um monte de coisas que muita gente só aproveita quando tem companhia: viagem de mochilão, cinema, restaurante, corrida, teatro, dança...

Durante muito tempo eu não conseguia me ver "apaixonada" novamente, uma sensação rara pra alguém que sempre esteve apaixonada desde os 18. E, dia desses, lia um blog na internet em que o autor fazia uma brincadeira com a antiga série "amar é...", traduzindo para o hoje em "namorar é...".

Lendo "namorar é..." pela primeira vez em muito tempo acordei desse longo inverno e voltei a sentir saudade de fazer preguiça a dois, ver filme e comer chocolate em domingo de chuva, planejar viagens, surpresas, jantares românticos e coisas simples que feitas ao lado "dele" fazem toda diferença .

Aliás, só um coração de pedra não teria vontade nenhuma de se apaixonar depois de ler "namorar é...":

Namorar é… sorrir enquanto ela decide com qual roupa vai sair, pois você sabe que ela fica mesmo linda quando se veste com seu lençol.

Namorar é… ter pra quem entregar aquele presente simples que você sabe que faria qualquer mulher feliz, mas que não queria dar pra uma amiga.

Namorar é… consultar a agenda de dança porque música, teatro, cinema, exposição e restaurantes já foram usados como desculpa para vê-la.

Namorar é… aprender a arte de chegar atrasado e até não ir em peças, shows e festas, deixando morrer com gosto o ingresso na carteira.

Namorar é… amar silenciosamente no escuro, sem nenhuma garantia de que o outro realmente está perto de você.

Namorar é… fazer uma compra adicional toda semana, levando só damascos, castanhas, queijos, chocolates e vinho (ok, água sanitária também).

Namorar é… se perder em palavras, jogos de linguagem, metáforas, gestos, imagens, cenas. Confundir arte e vida, ator e personagem.

Namorar é… ignorar o elevador e subir 6 andares de escada só porque demora mais, não tem câmera e é mais “divertido”.

Namorar é… ter um motivo para ir ao show do Radiohead MUITO mais importante do que o próprio Radiohead.

Namorar é… se assustar ao ver brincadeiras e ideias malucas virando realidade. “Vamos…?”. Basta o outro dizer “Sim”. Basta isso.

Namorar é… parar, realmente parar. Não fazer nada (nem mesmo nada fazer). A dois, claro.

Namorar é… acordar sozinho com um único pensamento: “Por que mesmo eu não a chamei para dormir aqui?”.

Namorar é… atualizar um Gdoc com anotações e links divididos em “restaurantes”, “locais para dançar”, “ideias” e “presentes”.

Namorar é… ter tempo, muito tempo. Tempo inclusive para fingir não tê-lo, se apressar e fazer caber uma noite em um minuto.

Namorar é… sonhar com uma mulher linda andando ao seu redor, acordar tentando voltar para o sonho e se dar conta que não precisa.

Namorar é… usar email, twitter, blog, sms, caderninho, espelho do banheiro e até google calendar pra deixar recado um para o outro.

Namorar é… escrever no Twitter para 1228 pessoas e ter a certeza de que somente uma entenderá.

Namorar é… continuar com as (deliciosas) one-night stands de solteiro e, depois de anos, perceber que estava saindo com apenas uma pessoa.

2 comentários:

  1. É! Parece que eu tenho coração de pedra mesmo. Achei lindo, mas não deu vontade de namorar não...

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  2. Gabi... o óbvio é indiscutível. Todo mundo sabe que você trocou o coração por um fígado :-P
    E outra: vontade é uma coisa que dá e passa. A minha por exemplo, já passou de novo...

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