domingo, 27 de dezembro de 2009

Cartinha ao Papai Noel


Considerando que eu ainda não descobri se o amor é ou não uma falácia e tendo em vista que é fim de ano (e o Natal foi anteontem) e, na vida, a gente tem que acreditar em alguma coisa, eu que nunca acreditei em Papai Noel resolvi dar uma chance ao bom velhinho. É mais ou menos assim: tá mais fácil acreditar no papai Noel que no amor ;-)

Espero que o Papai Noel leia o meu Blog, porque não deu tempo de enviar a cartinha pelo correio e a essa altura do campeonato ele já deve estar cansado e de volta ao Polo Norte.

Querido Papai Noel,

Eu já tive a minha bicicleta de rodinha, a coleção da Barbie, um skate, patins, casinha de boneca e o meu primeiro videogame. O Senhor há de convir que eu fui uma menina muito boa, porque nesses 26 anos nunca te pedi nada, então, acredito que isso abra um precedente para um pedido de Natal atrasado.

É muito simples: eu queria me apaixonar pelo cara errado. É isso. Quero me apaixonar pelo cara que não liga de volta ou que não ligue at all. Pelo cara que não abre a porta do carro, nem manda flores. Quero me apaixonar loucamente por alguém que me leve pra jantar no McDonalds, ou num restaurante que só tenha jiló. Quero ficar totalmente encantada por alguém que me diga coisas absurdas, que me irrite profundamente, que tenha uma mãe mais insuportável que o Faustão.

Quero me apaixonar por um cara que não goste de nada do que eu gosto, que seja sedentário, que adore ver TV dia de domingo, que seja tão viciado em futebol a ponto de esquecer que eu existo, que não me faça rir, que não tenha bom humor, que nunca me surpreenda, que não seja capaz de se apaixonar de verdade por ninguém . Quero me apaixonar por um workaholic que nunca tenha tempo de passar na minha casa às 4h30 da manhã pra me levar pra ver o sol nascer. Que nunca me leve pra ver a lua e mergulhar no mar à noite, que tenha a sensibilidade de um paquiderme, que JAMAIS tenha vontade de viajar pra lugares novos, nem fazer coisas absurdamente inesperadas e viver aventuras comigo.

E digo mais: o cara errado tem que me dizer que estou gorda, que preciso urgentemente de 200ml de silicone em cada peito, que eu acordo com a cara mais horrenda que a do Freddie Krueger e que minha TPM é inadimissível, intragável, inaceitável.

Eu sei que é um pedido meio estranho e que o Senhor, é claro, deve querer saber o porquê dessa minha esquisitice. É muito simples: minha amiga Fernanda sempre me falava que quem já comeu filé nunca se contenta com alcatra. Desejo fazer exatamente o contrário da Nanda: me apaixonar pelo pior homem de todos os tempos. Quero saber se comer carne de pescoço vai fazer qualquer outra coisa parecer filé mignon.

Enfim.. cheguei a conclusão de que o amor (sendo ou não uma falácia) é simples, eu é que não me apaixonei por caras que fossem suficientemente ruins. Sei que o senhor é um homem ocupado e que o Homem Errado é um presente muito difícil de encontrar, mas eu realmente queria muito, muito mesmo. Será que o senhor consegue isso pra mim até o ano novo?

Muito obrigada.

Um beijo,

Paloma

PS.: Se o senhor atender meu pedido, prometo que só vou precisar usá-lo por no máximo 1 mês e depois vou emprestar pra todas as minhas amigas que reclamam que homens são todos iguais. Ou seja: seu presente vai valer por muitos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O famoso brilho nos olhos ...

O primeiro sinal que damos (de forma voluntária ou não) quando nosso coração passa por novidades é anunciado por nossos olhos. E o sinal mais gritante é o brilho em nosso olhar.

Quando nos apaixonamos são os primeiros a se iluminarem. Nos denunciam pelo brilho incontrolável que vai piorando de acordo com nossa tentativa em disfarçar, ou na empolgação em contar sobre a razão por tanta felicidade.

Lembro que, há muitos anos atrás, eu me apaixonei perdidamente por um cara que era, na minha cabeça, claro, o homem mais perfeito do mundo pra mim. Eu estava tão apaixonada que meus olhos mais pareciam dois holofotes. Um dia, um colega do trabalho me perguntou se eu estava chorando. Logo acordei da minha distração, ri e falei que não, meio sem entender. Então ele sacou logo:" Ah, já sei! Você acabou de ver o ´fulano´. Nossa... mas como seus olhos estão brilhando!!". Na hora eu fiquei sem graça e feliz ao mesmo tempo. Sem graça por ter sido denunciada por mim mesma. Mas feliz porque na verdade naquele momento eu estava feliz por qualquer coisa.

No entanto, os olhos também brilham e nos denunciam quando o coração vai mal. Assim como quando nos apaixonamos, nos momentos em que nosso coração desmonta os olhos são os primeiros a sofrerem. Não apenas brilham (por conta de lágrimas incontroláveis) como também incham e desfiguram nosso rosto.

O fato é que nossos olhos olhos brilham sempre que nossas emoções estão afloradas. Não apenas felizes. Nem sempre tristes.

O que eu acho é que quando nossos olhos brilham deveríamos aproveitar cada momento. Seja pra aproveitar a felicidade incontrolável ou pra nos permitir lavar a alma e mandar a tristeza embora.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sabedoria dos amigos I

Depois da série sabedoria das amigas - que me matou de rir - os meus amigos também resolveram filosofar. Ontem um amigo me liga 11 da noite pra falar de sua nova filosofia de recém-solteiro:

"Paloma, esquece esse negócio de escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. O negócio é trocar de carro, entrar na academia e fazer uma tatuagem".


Onde será que ele quer chegar com isso hein?
Aliás, alguém aí arrisca a versão feminina dessa filosofia?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Story of boy meets girl

Tom: O que acontece se você se apaixonar?
Summer: Você não acredita nisso né?
Tom: Não é como se o amor fosse Papai Noel!
Summer: O amor não existe, é uma fantasia.
Tom: Acho que você está errada.
Summer: Então o que é isso que eu estou perdendo?
Tom: Acho que você saberá quando encontrar.

Como num caleidoscópio, o filme 5oo Dias Com Ela (500 Days of Summer), em idas e vindas no tempo, conta uma história através dos vários fragmentos dos 500 dias em que Tom e Summer passam "juntos" - ele achando que encontrou o amor da sua vida, ela - um tipo de mulher às avessas - não acredita em compromisso, não acredita sequer no amor.

Ao contrário das comédias românticas tradicionais, o filme mostra que nem toda história em que um garoto conhece uma garota é uma história de amor. Os desencontros são inevitáveis e é preciso saber lidar com eles, porque o amor é realmente um método de tentativa e erro... e, só às vezes, a gente acerta.

Não sei quanto aos leitores desse Blog, mas a minha vida amorosa tem um roteirista. E o meu roteirista cismou, desde o início, que tudo tem que ser um suspense, uma emoção, uma interrogação. A esta altura, depois de todas as maluquices que ele me fez passar (eu tenho certeza de que ele se diverte às minhas custas!), vai ver que ele tá é certo. Eu nunca gostei de final previsível mesmo...

E se você também não gosta, assista 500 Dias Com Ela. Se não for pelos atores principais - Joseph Gordon-Levitt (Tom) e Zooney Deschanel(Summer) - que estão ótimos em seus papéis, que seja pela direção do estreante em longas, Marc Webb. E se nada disso te interessou, tem o que eu mais gostei: a trilha sonora é uma delícia (tem a primeira dama da França, Carla Bruni, The Smiths, Belle and Sebastian...
tudo de bom!).

Veja se você também vai chegar aos créditos com a "sensação" de que, de fato, o amor pode ser muitas coisas, menos a certeza de que a gente sabe sobre o final feliz, exceto a garantia de que podemos controlar o final, mesmo que tudo termine "bem".

E essa é a graça de apaixonar-se: é desolador ficar perdido dentro do filme da sua própria vida ... ao mesmo, saber o final estragaria tudo.


sábado, 19 de dezembro de 2009

I am weasel


Saca o desenho "Eu sou o máximo"? Já viu Johnny Bravo? Pois é... imagina só uma mistura dos dois. As cenas do Máximo e do Babão e do ultraego de Johnny expressam a clara idéia do que vem a ser a falta de noção da realidade. No que diz respeito a falta de noção nos relacionamentos, Máximo e Johnny estão mais do que enquadrados.

Tenho uma penca de amigas que trocaria facilmente um lindo portador da síndrome do "Eu sou o máximo" (cara que geralmente - embora nem sempre - é bonito, inteligente, bem sucedido, sensível, bom irmão, bom filho, bom amigo, ou seja, (quase) tudo de bom) por um rélis mortal que seja apenas simpático, agradável, humilde e.... que já tenha percebido que ele é parte do sistema solar e não o contrário.

Se você tem dúvidas da relação custo-benefício de se envolver com um ser da casta "eu sou o cara", listamos abaixo 9 boas razões para NÃO fazê-lo:


1. Proteger sua auto-estima: Eu sou o máximo acha que todo mundo VAI se apaixonar por ele. Não tem nada pior pra auto-estima do que estar com alguém cujas atitudes disparam mil vezes por minuto a mensagem "você é só mais uma, mas eu sou o cara".


2. Evitar a fadiga: o tipo Eu sou o máximo é geralmente muito atraente físicamente, o que por sua vez atrai muitas mulheres. Ele está acostumado ao mínimo esforço e frequentemente acha que o trabalho dele na vida se resume a distribuição de charme. O Máximo não precisa de nada além do fato de ser o máximo para conquistar você, de maneira que ele espera que VOCÊ faça tudo por ele (inclusive competir e ganhar das loucas que correm atrás dele). Tal e qual o Seu Jaiminho, do Chaves, não se envolver com "o cara" é a melhor maneira de evitar se cansar à toa, porque o esforço simplesmente não compensa.

3. Conversar com alguém que de fato ouve você: Eu sou o máximo adora um monólogo! Ele finge que te ouve por 2 minutos enquanto prepara o discurso sobre todas as suas qualidades, seu sucesso profissional, seu desempenho atlético, sua família perfeita, os lugares que viajou, os livros que leu... para ao final ter a cara-de-pau de dizer algo como "eu sou um cara tão simples, tão comum", apesar de ele ser o máximo. Argh!

4. Não aceitar favores: Eu sou o máximo geralmente se apresenta dizendo "o prazer é todo seu", porque ele tem plena convicção de que a honra e a sorte de conhecê-lo é toda sua. Não é horrível conviver com alguém que age como se estivesse te fazendo um favor?



5. Manter-se em níveis seguros de exposição ao drama desnecessário: Eu sou o Máximo adora um drama, principalmente se ele está no centro do palco como protagonista sofredor. Os dramas são todos épicos e pertinentes, tanto quanto a questão da fome na África: "todas se apaixonam por mim" (ohhhhhhhhhhhhhhh); "eu magoo as mulheres, isso me faz sofrer" (nossa!); "ninguém me compreende", ou ainda "eu sofro tanto com a inveja...todo mundo quer ser igual a mim".



6. Assegurar que o centro da terra permaneça no seu devido lugar: Eu Sou o Máximo ignora solenemente todo o conhecimento humano acumulado sobre o sistema solar (o sol é a estrela maior, os planetas giram em torno dele) e jura que o mundo gira ao seu redor: tudo é com ele, para ele, sobre ele.




7. Não ter que aturar a síndrome do saci: um dos efeitos colaterais das sucessivas tentativas de desestabilizar o sistema solar e roubar o lugar do sol como a estrela maior é que Eu Sou o Máximo vive vestindo a carapuça. Como ele acha que tudo é mesmo com ele, para ele e sobre ele, ele acaba assumindo que até o que não é com ele É COM ELE. Eu Sou o Máximo costuma ficar revoltado em situações absurdas e incompreensíveis como quando alguém fala mal de uma terceira pessoa (sim, existem outros seres no mundo além de Eu Sou o Máximo) e ele cisma que é com ele. Agora me diz: Se você não é um idiota e passa na rua e alguém grita "tem um idiota na rua" (quando a rua está cheia de gente), porque cargas d'água você gritaria de volta algo do tipo "tá me chamando de idiota porquê?



8. Poupar-se de passar sede ou fome: Eu sou o Máximo frequentemente se apresenta como a última coca-cola do verão ou o último biscoito do pacote. Ele se acha extremamente desejado e irresistível... é o heart braker. Mas a gente sabe que só mesmo o babão pra aguentar essa ladainha toda!



9. Escapar de ser preso por exercício ilegal da profissão: Eu sou o Máximo é cheio de questões existenciais. Vai ser inevitável você ter que lidar com isso o tempo todo e responder a perguntas de consultório de psicologia tipo: "eu não sei porque sou tão bonito, você me amaria se eu fosse feio?". Ele quer ser "analisado", mas você que não tente criticá-lo, porque análise só é válida se pressupõe dizer que ele na verdade não tem defeito nenhum, o problema são sempre os outros, caso contrário, ele vai dizer que você é maluca e vai procurar alguém mais agradável para analisá-lo. Ou seja: alguém que diga o que ele quer ouvir.

Meninos e meninas... nós sabemos que papai do céu quando nos fez jogou a forma fora. Todo mundo é único à sua maneira. Ser único é... digamos, comum (já que ninguém é igual). Dependendo do ângulo que olhamos, achamos algumas pessoas mais legais, outras menos. Mas a diferenciação, como na teoria da relatividade e na semiótica, está no olho de quem vê e não em quem está sendo visto.

Sendo assim, não existem razões para ninguém se achar tanto. Além do mais, se tudo depende do referencial, pra você ser "o cara" ou "a mulher" o fundamental não é VOCÊ se achar profundamente O MÁXIMO, mas todos ao seu redor afirmarem isso. Seria esse o seu caso? Hummmm... não concordo nem discordo, muito pelo contrário e vice-versa.

Agora, se você acabou de ler esse texto e se identificou, recomendamos a leitura e releitura dos posts 1 e 2 por 365 vezes, um vez ao dia durante um ano, iniciando tratamento homeopático a partir de 1º de janeiro de 2010. Caso ache necessário reforço, também recomendamos a leitura semanal do mito de Narciso (e, em casos extremos, o uso de bóias quando próximo a superfícies aquáticas que possam projetar seu reflexo na água, caso você não consiga resistir e se jogue...).

sábado, 12 de dezembro de 2009

Suicídio amoroso

Essa semana fui platéia das seguintes cenas:

1. A menina do trabalho que liga neurótica pro namorado dizendo "te liguei 6 vezes, onde é que você estava?!!!!!!!!!!! Por que você não me atendeu???????? Tava com quem?????".

2. A executiva estressada na ponte aérea que dizia pro cara ao telefone "se você não for me buscar no aeroporto por causa da sua mãe você sabe que a gente vai brigar mais tarde".

3. A mulher no restaurante: "Você nunca desliga dizendo que me ama!".

Diante de atitudes dignas da Felícia do Tiny Toon tipo "VOCÊ TEM QUE ME DEIXAR TE "AMAR" ATÉ A MORTE", acho que cabe fazer um comentário, ainda que óbvio: amor não se pede, muito menos se obriga!

Sufocar o outro, competir com a mãe, a irmã, a mulher, a amante, a vizinha gostosa, com o trabalho e com o ar que o outro respira é suicídio amoroso! Se você sofre da síndrome de Felícia, saiba: a única maneira de o outro perceber o quanto ele gosta de você e o quanto você é especial é dar chance de que ele tenha outras coisas na vida além de você!

Não sufoque, não deseje atenção e dedicação exclusivas. Isso não só não vai funcionar para aproximá-lo de você (o efeito vai ser justamente o contrário) como também é um sinal de que você não gosta da pessoa, você PRECISA dela, e isso não é amor.

Cenas como as dessa semana me fazem lembrar de um poeminha que traduz o que eu considero a melhor maneira de "querer" alguém:

Não te quero só pra mim
E nem poderia
Quero-te para ti mesmo
E para tua própria vida
E quanto mais fores
O que quiseres
Mais será o que eu queria

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fair Play II

Não sou contra o jogo, desde que estejamos tratando o jogo de conquista como FAIR PLAY, ou seja: jogo limpo, em que o interesse seja real. Jogo como ferramenta de conquista tem que ser instigante, divertido, interessante. Nesse ponto, é bom ficar claro: jogo do amor não se joga sozinho, é preciso dois e por isso é importante conhecer minimamente o outro pra saber se ele está se sentindo estimulado ou se, pelo contrário, está sendo torturado. Meninos e meninas inseguros e com baixa auto-estima, por exemplo, podem sofrer com mil voltas, frases ambíguas, convites vagos, esperas longas por um telefonema e coisas do tipo. Não é todo mundo que gosta e que aceita brincar. Respeite isso.

O jogo serve para revelar aos poucos, para aumentar o interesse, ele não pode ser um meio de usar o outro, nem de se esconder. Se eu pudesse comparar, faria como o Rubem Alves, que usa a analogia do frescobol para o amor. Acho que é assim: o jogo de conquista não tem vencedores nem vencidos, não é uma competição, mas um ganha-ganha. O objetivo é fazer o outro acertar e jogar a bola no ponto certo pra que ele possa rebatê-la redonda de volta, é se aproximar mais e não dominar ou mostrar superioridade.

Seja lá qual for o seu estilo, jogos não podem durar pra vida inteira e precisamos nos abrir e nos permitir a uma certa altura da brincadeira. Se não for assim, ficará evidente que o objetivo do jogo não é conquistar quem desejamos, mas esconder-se, numa demonstração clara de medo de se expor, de deixar à mostra sua vulnerabilidade, sua insegurança.

Se você não é capaz de se entregar, também não é capaz de viver nada que não seja superficial, porque não deixará ninguém te conhecer o suficiente pra avaliar você de verdade. Você só mostra o que lhe interessa e não o que você é por inteiro.

Ok. Eu não me exponho para qualquer pessoa, e nem acho que ninguém deva fazer isso. Mas todos somos frágeis, SEM EXCEÇÃO, ninguém é um ilha. Existe um momento em que temos que dar um passo à frente. Quando nos vemos apaixonados, às vezes dá mesmo medo de quebrar a cara, principalmente se você não é um ingênuo marinheiro de primeira viagem. Mas a vida é isso: é preciso arriscar. E eu sou totalmente a favor de correr certos riscos, já deixei a minha opinião muito clara a esse respeito em outro post: Economizar o coração é economizar a alma. E quem faz isso, já está meio morto de qualquer maneira.

Se é pra se jogar, jogue limpo, não mande sinais contraditórios. Jogo de amor não é, de maneira nenhuma, brincar com os sentimentos do outro. Deixe claro que você de fato está caminhando em direção ao outro, ainda que dando algumas voltas a mais só pra ficar mais perto ainda depois. E não esqueça que jogo demais confunde e faz até perder o interesse. Se não é isso que você quer, brinque, mas faça o outro saber que vocês são parte do mesmo time e querem chegar ao mesmo lugar no final das contas.

Tease me!

Minha sugestão pros jogadores de plantão é: joguem com leveza, façam disso um strip-tease em que você se revela aos poucos. O objetivo é despertar a vontade de ver mais e, ao se mostrar, fazer com que o outro também se sinta à vontade para tirar algumas camadas de roupa.

Mostrar-se aos poucos ainda é mostrar-se, portanto, seja verdadeiro, autêntico e esteja certo de que você tem alguma coisa pra oferecer além da superfície.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fair play I

"Não atende! Deixa ele ligar mais duas vezes aí você liga de volta". "Não liga logo de cara, espera uns dois dias". "Deixa ele dar o primeiro passo". "Finge que você passou aqui por acaso". "Não beija logo de cara".

Alguém aí nunca proferiu ou escutou frases parecidas?

Jogar ou não jogar, eis a questão.

Tem gente que odeia joguinhos. Tem gente que não dá um passo que não seja extremamente calculado como se o amor fosse um tabuleiro de xadrez. A minha opinião? Bom, eu sempre olho os dois lados da moeda.

O que é inegável pra mim é que a conquista é um jogo. "Russian roulette is not the same without a gun. And baby when it's love if it's not rough it isn't fun". Ninguém gosta de nada fácil, é uma coisa do ser humano, especialmente dos homens, muito embora mulheres também não fiquem pra trás no quesito "quanto mais difícil melhor". Acredito que quando realmente nos interessamos, gostamos de descobrir, desbravar, conquistar, envolver o outro. Essa é a graça: ganhar o coração de quem desejamos e não tê-lo entregue por delivery, sem nem ter que sair de casa.

Ter uma pessoa que VOCÊ conquistou... alguém que não é qualquer pessoa que conquista faz de você alguém especial. Dentre todas as pessoas que "investiram" EU consegui. Sim, a psicanálise vai provar que no final das contas somos extremamente egoístas... Freud explica, não perguntem os porquês disso pra mim, porque a psicanálise destruiu todas as minhas ilusões mais puras, rs.

Eu me baseio em fatos. E o fato aqui é que, se algum leitor desse Blog não gostar de conquistar ou ser conquistado, ou gostar de alguma coisa fácil, terei que me admitir totalmente equivocada. E nesse ponto eu desafio vocês. Antes, uma observação importante: uma coisa é estar carente e querer um beijo na boca "aqui e agora". Isso não é conquista. E quem quer isso quer mesmo objetividade, preto no branco. Ninguém está tentando "encantar" o outro quando os fins são estrita e puramente físicos. O jogo da conquista pressupõe justamente o contrário: o encantamento.

Portanto, se você é contra o jogo do amor, sugiro continuar lendo e, quem sabe, rever seus conceitos e preconceitos.

Se não sabe brincar, não desce pro play!

O primeiro alerta: existe uma grande diferença entre "apimentar" a conquista ou fazer com que o outro se apaixone por você de novo no dia seguinte (a reconquista permanente, como no filme de Drew Barrimore "Como se fosse a primeira vez") e simplesmente querer manipular, dominar o outro, usá-lo para conquistar, preencher sua carência e massagear o seu ego, torturando seu "objeto" de conquista ao deixá-lo inseguro como forma de ter o controle do jogo até que você o tenha na palma da mão, quando então as coisas perdem a graça e você se cansa de brincar.


To be continued (...)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Se tiver que ser, VAI SER

Hoje é aniversário de casamento de uma amiga muito, muito querida. Aliás, como fui madrinha, vou comemorar a data contando pra vocês sua linda (e verídica) história de amor.

Para que vocês conheçam a história, para que vocês acreditem que o amor existe sim, mas sempre vem acompanhado de altos e baixos (e, por incrível que pareça, muitas vezes é o que faz valer a pena), e para que saibam que além de nada na vida ser por acaso, tudo que tiver que acontecer vai acontecer, mas somente na hora certa.

Bom, há dez anos atraz, quando Lili conheceu o amor da vida dela, o Lu, ela tinha 17 anos. Ficaram loucamente apaixonados e começaram a namorar. Em três semanas ela ficou grávida. Mas eles já não estavam mais juntos porque ela só descobriu a novidade na terça-feira seguinte ao sábado em que eles brigaram e terminaram (aliás, por fofoca de cidade pequena - um perigo).

Foi uma época muito dura. Enfrentar uma gravidez sozinha aos 17 anos não é mole. O cara acompanhava e participava de tudo e tal, mas não era a mesma coisa como ter um apoio exclusivo e em tempo integral. Enfim, nasceu a criança. E o momento que era pra ser o mais feliz na vida de Lili, foi manchado com a visita indesejada da namorada do pai da sua filha a tiracólo.

Um ano inteiro se passou. Lu ía visitar a criança quase todos os dias e os dois se davam muito bem como amigos. Até que, com essa convivência, o cara começou a conhecer Lili melhor. Livre de fofocas e estresses, ele a viu como mulher e como mãe da sua filha. E aí foi o reencontro deles. Após uma conversa informal, eles resolveram ficar juntos de novo. Ah, importante: por eles, e não pela filha. E depois de namorarem de novo, direito, se casaram com a filha deles como dama de honra (melhor impossível).

Pois é, e hoje eles não apenas continuam casados como também muito bem casados. Felizes. Com suas vidas encaminhadas, com mais uma filha e ainda um gato. Bem ao estilo comercial de margarina.
Na minha opinião, essa história prova que não importam quantas voltas o munde dê, o que tiver que ser vai ser.
E não importa o quanto você corra atrás ou lute contra. Se tiver que ser, vai ser m-e-s-m-o.


Uma declaração de amor

Esqueçam isso de faixa com "eu te amo", flores, etc e tal. A maior declaração de amor de todas é saber que o outro te ouve e ENTENDE ... especialmente quando você se acha uma louca de marte vivendo no planeta errado.

Essa semana eu recebi uma dessas declarações de amor inesperadas. Estava eu no meio das minhas divagações, meio que falando por falar... achando que eu estava num monólogo do tipo "to be or not to be", aí eu escuto: "adoro quando você fala em círculos e faz perfeito sentido".

Não é uma declaração de "amor romântico", já que foi um amigo que me conhece até do avesso quem falou isso. Mas esse é um belo exemplo sobre encontrar "forasteiros", que abordei no post Mesa Pra Dois.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quando foi a última vez que você virou abóbora ?

Já escrevi um post pensando sobre a possibilidade de pessoas mudarem. Conclusão: sim, a gente muda o tempo todo.


Mudar é simplesmente inevitável.

Mas a questão mais importante de todas é o jeito que você muda. Um pouquinho todo dia ou tu
do de uma vez? De Cinderela a abóbora no meio da noite ou sempre igual até que você percebe que chegou aos 80 totalmente diferente e nem se deu conta? Você prefere um caso previsível e morno ou uma paixão que te faz perder o rumo?



Amores previsíveis, de um lado, não despertam vida, não inspiram. São paisagens às quais nos acostumamos, são quadros que nem percebemos mais na parede, personagens que não nos incomodam nem nos estimulam. Apaixonar-se, por outro lado, é mais violento, mais perigoso... é quase como levar um murro na cara.

Sobre isso, no filme Tempo de Recomeçar (original Life as a House) Kevin Kline tem uma fala que adoro: "change can be so constant you don't even feel the difference until there is one.
It can be so slow that you don't even notice that your life is better or worse, until it is. Or it can just blow you away, make you something different in an instant. It happened to me."

Tempo de Recomeçar é meu filme preferido sobre mudança, porque passeia justamente sobre o equilíbrio entre crescermos e mudarmos pouco a pouco e a necessidade de sofrermos, vez por outra, uma mudança brusca, violenta, que nos faça recuperar a sensibilidade perdida pelos olhos acostumados a paisagem morna da vida.

E o amor e a paixão são assim uma montanha russa. É necessário que um complemente o outro porque o que mantém o interesse é a capacidade que os casais possuem de se reinventarem, o que mantém o desejo de estar com o outro é o sobe-e-desce entre a calmaria e a tempestade, a reconquista. Se só a paixão durasse pra sempre a emoção estaria perdida, porque viraria paisagem.

Amo você quando não é você


Há muito tempo atrás li num texto da Martha Medeiros a notícia de jornal sobre uma casal em crise que, em segredo, trocava e-mails com um pretendente virtual desconhecido usando pseudônimos. Cansados da monotonia um do outro e impulsionados pela percepção de que ainda eram interessantes e dignos de despertar o desejo e a atração em outras pessoas, na "traição virtual" eles eram totalmente diferentes do que eram no casamento: mais sedutores, vivos, ousados e, por isso, mais interessantes e apaixonáveis.

Imagina a surpresa quando cada um foi empolgadíssimo ao encontro secreto com seu amor e viram que, na verdade, estavam "interessados" um pelo outro sem saber. Cheios de moralismo separaram-se alegando infidelidade (por incrível que pareça!). Existe explicação pra isso?


Não há o menor mistério aqui. Já vimos essa história mil vezes. Se toda vez que encaramos um problema fugirmos com a desculpa de que a solução para um relacionamento cheio de obstáculos é ser feliz com outro alguém, pularemos de galho em galho pro resto da vida sem aprender nada, porque cada vez que nos depararmos com um problema, nos refugiaremos em algo novo, viveremos de novo a fase fácil da paixão e, em pouco tempo esbarraremos no mesmo problema, e aí começaremos tudo de novo com outra pessoa, num ciclo sem fim. Faz isso quem não emplaca em um namoro mais do que poucos meses, quem procura um amante quando a relação está monótona.


Relacionamentos não são a salada que nossa mãe fazia e a gente podia catar a cebola. Não dá pra viver só aquilo que gostamos sem olhar o outro. Sim: teremos noites de sexo, surpresas, felicidade. Mas também teremos momentos difíceis, tédio, monotonia.

Gostar do outro não pode ser uma obrigação, porque imposições eliminam o que é essencial na manutenção da alegria, do desejo, da sedução, do prazer: o ser espontâneo, a possibilidade de querer estar com o outro por escolha. E é por isso que a vida precisa ir além do outro e o namorado/marido/amante/caso não pode ser um objeto de realização nem a fonte inesgotável de felicidade.

O que eu quero dizer com isso? Não desista tão cedo, porque é possível apaixonar-se de novo pela mesma pessoa (a história do jornal tá aí pra provar isso). Não é sempre que é necessário trocar de príncipe para dar continuidade ao conto de fadas. Mas não podemos ser abóboras o tempo todo. O que mantém o brilho nos olhos é a mudança, a reviravolta, é dar ao outro a chance de surpreender, de ser quem a gente ainda não foi, e manter o interesse do outro mostrando que ele sempre vai ter alguma coisa pra descobrir em você, como um quebra-cabeças gigante, como as histórias das mil e uma noites que nunca terminam, que nos instigam a querer sempre mais.