quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cap. III - Cafajestes também sofrem


Muita gente acha que a vida do cafajeste é fácil. Ledo engano! Eu me atreveria a dizer que cafajestes são mais infelizes que as mulheres que sofrem por eles. Me explico:

Cafajestes são prisioneiros da própria prisão que criaram para as mulheres que conquistam. Contaminados pelo próprio veneno, não conseguem ser felizes sem o prazer da conquista e estão andando em círculos sem a possibilidade de encontrar satisfação, nem amor. Isso porque ao fazerem uma mulher se apaixonar por eles (e eles sempre o fazem de forma intencional e calculada) para depois magoá-la, eles também precisam enfrentar o seu próprio vazio. Nós podemos chorar dias por eles, mas pelo menos teremos aproveitado o brilho nos olhos enquanto durou.

O cafajeste, pelo contrário, não sentiu nada além do prazer de conquistar um desejo e esse prazer que dura tão pouco sempre vem acompanhado da dor de não sentir nada de verdade. Ele não sabe como ir além, não consegue se entregar. É aquele aluno que todo ano repete a mesma série. É como abrir um vinho muito bom e nunca conseguir bebê-lo. É como ser chefe de cozinha e sentir o cheiro de comida gostosa o dia inteiro e nunca provar nada.

Cafajestes NÃO tem mil e uma possibilidades de escolha só porque um monte de mulheres está correndo atrás deles. Não existe liberdade de escolha se não é possível sair da própria prisão. Como já escrevi antes sobre esse processo de aceitar as coisas por inteiro, se cada vez que se chega a um ponto da relação em que há um problema ou alguém encosta o dedo da nossa ferida fugimos pra algo novo e "seguro", viveremos sem fim o ciclo da experimentação, estaremos presos em nós mesmos.

Como o Bill murray no Feitiço do Tempo (Groundhog Day), o cafajeste vive indefinidamente a mesma fase de um relacionamento. No início ele pode até se sentir feliz e dono da situação só porque sabe exatamente o que fazer e pode controlar tudo o que acontece. Ele acorda sempre na fase da paixão... a fase boa. O dia termina a uma certa altura do relacionamento (que pra alguns pode ser uma semana, um mês, seis meses, um ano...) quando ele esbarra no mesmo problema, na incapacidade de deixar a máscara cair e se expor, deixar-se gostar pelo que ele de fato é e gostar do outro, ansiar por uma ligação, sentir frio na barriga, ver os olhos brilharem por ela.

Mas... quando ele acorda no dia seguinte, é o dia da marmota... está tudo igual... e não importa se o "igual" é bom ou ruim, porque os olhos dele já estão cansados de ver e sentir a mesma coisa, de começar tudo de novo. Será que essa prisão tem saída?

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