terça-feira, 2 de março de 2010

Copacabana, segunda-feira, oito da noite

Saio do metrô, chove torrencialmente e eu quero fazer um lanche antes de ir pra casa. Minha personal tapioqueira não está no seu ponto habitual, de modo que eu atravesso a galeria que tem ao lado do metrô em busca de uma segunda opção. Caminho debaixo da marquise da galeria até perceber que o tapioqueiro número dois também não está lá. Dou meia-volta para atravessar a galeria de volta. Fui interpelada por um rapaz que fazia o estilo "bebo-no-Arco-íris-mas-no-fundo-sou-classe-média":
- Desistiu de ir pra lá?
- É. Pois é.
- Você mora por aqui?
- É. Pois é.
- Você trabalha com comunicação?
Ai ele logra êxito em captar minha atenção e eu deixo de ser monossilábica. Porque eu efetivamente trabalho com comunicação.
- Como você sabe? Eu te conheço?
- Eu achei que você tinha cara de quem trabalhava com comunicação.
Essa resposta não me convenceu muito, porque eu estava vestida como quem trabalhasse com, sei lá, administração ou economia. Mas existia uma tapioca a ser comida em algum canto desse bairro.
- Excelente chute. E tchau.
Atravesso a galeria de volta, em direção de casa. Quando estou esperando o sinal fechar para atravessar a rua sou novamente interpelada pela mesma figura:
- Oi, oi, dá licença. Mas se eu chutasse o seu telefone e errasse você me daria o número certo?
Não daria e nem dei. Mas não posso negar que timing e criatividade o cara tem, não? Esse entende de falácia.

2 comentários:

  1. Ah se essa "brincadeira" fosse em outros tempos heim... (rs)

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  2. Pior que se fosse em outros tempos eu também não daria meu telefone. Vai que ele me chama pra um encontro no Arco-Iris? Eu não sobreviveria ao trauma.

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