segunda-feira, 12 de abril de 2010

A little less conversation

Durante muito tempo eu tinha essa idéia estupidamente romântica de que o que importava era como as pessoas são por dentro (ou o que elas sentem). Levei muito tempo e bati a cabeça na parede várias vezes até entender que "de boas intenções o inferno está cheio".

Dias desses, conversando com um amigo sobre relacionamentos, falamos sobre um diálogo sensacional que exemplifica perfeitamente a minha crença de que o amor está muito além das palavras e até mesmo do próprio sentimento.

Em Um beijo a mais (original The Last Kiss), Zach Braff faz o papel Micheal, um homem na crise dos 30 que entra em pânico porque acha que sua vida é perfeita demais. Atordoado pela idéia de que não haverá mais surpresas (está tudo programado: uma mulher incrível, uma casa, um bom emprego e bons amigos) resolve trair a namorada perfeita (que está grávida) e, de repente, cai a ficha: ele é um idiota tentado jogar a felicidade pela janela com a mulher que ama.

Ao correr atrás dela para explicar a traição, Micheal se depara com o sogro (Stephen) na varanda da casa dos pais da namorada. Ele implora para falar com ela, diz que a ama.

Stephen: Que merda você estava pensando? Você ficou entediado?
Michael: Não, sou apenas um idiota.
Stephen: Nisso nós concordamos e muito.
Michael: Eu a amo, Stephen. Eu sei agora que a amo mais do que jamais amei alguém.
Stephen: Pare de falar de amor. Todo idiota no mundo diz que ama alguém. Isso não significa nada.
Michael: Mas é a verdade.
Stephen: Continua não significando nada. O que você sente é apenas problema seu. É o que você faz para as pessoas que você diz amar que realmente importa. É a única coisa que conta.

Woody Allen também já sabia que todos dizem eu te amo (aliás, recomendo muito esse filme, é imperdível). E nós temos a tendência de acreditar mais nas palavras que nos gestos. Os seres humanos são criaturas engraçadas... frequentemente vale mais o que está escrito do que o que é.

Mas, pra mim, eu te amo não é nada se não extrapolar as palavras - porque por si só, essas três palavrinhas não são mágicas. Não estou falando de mandar flores, fazer declarações, ou qualquer outra convenção social que não diz muita coisa. O amor só extrapola as palavras quando te faz rir, quando faz você se sentir acolhido, quando te mostra que o outro se preocupa com você de verdade; o amor só vai além das palavras quando se traduz em companheirismo, em compreensão, diálogo, confiança, respeito, transparência.

Qualquer pessoa pode dizer eu te amo (algumas com sinceridade, outras não). Claro que é importante dizer e ouvir isso e que todo mundo gosta. É legal receber flores e declarações de amor, cartas, presentes. Mas... acho que ninguém deve se contentar apenas com isso. Quando o assunto é amor, eu vou de Elvis:



a little less conversation a little more action.

5 comentários:

  1. concordo em gênero, número e grau! Por que carambolas a maioria das mulheres só quer escutar essa frase mágica? Ok, é importante! Mas NÃO é tudo! É a mesma história de "um exemplo vale mais que um conselho". Então, prefiro agir que apenas falar. Gosto da máxima "a little less conversation a little more action"! Então, vamos praticar!


    Amiga, não sou muito adepto às "correntes" de blog, mas achei bacana a brincadeira do "selinho" e eu estou te "dando" um selinho. Passa no meu blog pra entender melhor! Beijos
    (detalhe, estou escrevendo diretamente de seu pc, rs!)

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  2. Olá, meninas! Descobri o blog de vc meio q sem querer, procurando uma imagem pro meu post, q por sinal, tem algo a ver com este.

    Ah, o amor! Sempre tão bom de viver (ou nem tanto né?) e de falar. Adorei os papos e estarei sempre por aki, ok?

    Comecei a aventurar-me agora como escritora. Deem uma passadinha por lá!
    Bjs!

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  3. Ah, o endereço é www.pedradosono.blogspot.com

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  4. Isa, bem-vinda ao Blog! Pode entrar que a casa é sua ;-)

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  5. Realmente falar sobre se o amor é ou não uma falácia, se torna vago por de mais qualquer tipo de observação, pois penso uma coisa sobre esse tão abrangente tema, mais no intenso ato de "pensar", me calo... Como escrevinhador que sou, pois escrevinho algumas "poesneiras"(poesia+asneira), costumo falar em meus textos com certa frequência sobre o tema do amor e suas mazelas... Gostaria de poder, claro se houver interesse, pois gosto do assunto(amor)debater de forma democrática e ouvir todas as opiniões, fundamentadas ou não.
    Meus textos estão publicados no site: www.recantodasletras.com.br , procure em autores por: André Papão
    Penso que vai ser bom ler as críticas sobre o que penso e escrevo, pois muitas vezes me calo diante de diversas situações inusitadas desse nosso cotidiano inóspito.
    abs

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