terça-feira, 25 de maio de 2010

Yes, we can!


Quando tinha 15 anos fiquei perdidamente apaixonada por um cafajeste que adorava jogar comigo o jogo do cafajeste-cretino: ele fingia que gostava de mim (dizia que eu era linda, especial e blá blá blá) porque era bom pro ego dele ter alguém apaixonadinha e eu, marinheira inocente de primeira viagem, achava que a gente ia casar, ter filhos, uma casa com jardim e um cachorro. As crueldades dele chegavam ao ponto dele me convidar pra jantar no dia dos namorados e simplesmente não ir e depois dar qualquer desculpa, fazer mil elogios, me dar uma flor murcha e ainda conseguir me fazer achar que eu estava sendo exigente demais.

Um dia, depois da milésima sacaneada, eu estava chorando no meu quarto quando meu irmãozinho, com então 2 anos de idade, perguntou:

_ Por que você está chorando?
_ Porque eu gosto de um menino que não gosta de mim - respondi aos soluços.
_ Mas por que você não gosta de outro menino então?, perguntou o Sócrates em miniatura.

Eu só lembro que eu parei de chorar e pensei: cacete, isso é tão óbvio! Fiquei chocada por descobrir que eu tinha um filósofo precoce dentro de casa, um homem à frente de seu tempo! Fiquei ainda mais chocada porque não só eu mas uma legião de mulheres talvez nunca perceba o óbvio: a gente não escolhe de quem a gente gosta, mas escolhemos com quem a gente fica.

Por que é que na maioria das vezes fazemos dramas novelísticos e choramos rios de lágrimas quando "aquela pessoa" - seja por não nos fazer felizes ou simplemente pela idéia de que o mundo tem bilhões de outras pessoas - não é a única escolha possível? Por que não partir pra outra? Por que insistir nessa idéia de que só porque não escolhemos a pessoa por quem nos apaixonamos temos que aceitar qualquer coisa ou qualquer migalha que apareça no caminho?

Se uma criança que mal sabe falar e assiste Cartoon Network o dia inteiro consegue perceber isso, por que diabos a gente não economiza anos de terapia e drama desnecessário e simplesmente faz da vida e do amor uma coisa simples e POSSÍVEL?

Nenhum comentário:

Postar um comentário