quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Revival ou não revival, eis a questão






Chega a noite de sexta-feira. Suas amigas estão animadérrimas com o fim-de-semana e você, meio sensível, meio carente, não quer ver muita gente, mas também não quer solidão. Corre pra locadora e descobre que não sobrou nada nas prateleiras além da versão de lançamento em DVD de O Exterminador do Futuro. E aí você cai em tentação: liga para o ex.

São duas as possibilidades: ele está com alguém ou estará sozinho. Se estiver com alguém, você provavelmente passará o final de semana em uma solidão ainda mais insuportável pensando “esse desgraçado já tem outra”, mesmo que antes disso você nem o quisesse de volta. Mas, se ele estiver na mesma situação que você, não se pode negar o lado prático de um revival: toda a situação dispensa rodeios, galanteios e danças do acasalamento. Você o conhece, tem intimidade e se sente confortável perto dele. Você sabe seu papel e ele o dele. Vocês sabem o que foi que deu errado.

Dessa vez, basta não esquecer de mandar flores nas datas especiais, não repetir os mesmos erros nem as mesmas brigas. É impossível não funcionar, certo? Sabemos o roteiro de trás pra frente, é só fazer um ajuste aqui e ali, tirando tudo o que não dava certo. Simples assim. Perfeito!

Mas aí, depois de bater a claquete os dois começam a errar as falas, as cenas parecem um tanto fora de ordem e você se pergunta: cadê o diretor dessa porcaria?! Pois é. Não tem diretor, não tem script. São só vocês dois, sozinhos no cenário de fundo falso montado por vocês mesmos. E, pior ainda: vocês são os mesmos de sempre... nada mudou. 

Porque nessas horas a gente sempre esquece que teve um motivo concreto para terminar? Não interessa se foi por traição, por distração, porque acabou o amor, ou porque faltou maturidade, cumplicidade ou simplesmente por incompatibilidade de gênios e alma. Amores do mundo real não são como os de Hollywood, onde o vilão inventa que os dois são irmãos e, no final, se descobre a verdade e eles se beijam e ficam juntos, como se nunca tivessem se separado, sem cicatrizes, sem ressentimentos, sem mágoas.

A separação de corpos é triste e a saudade pode até doer, principalmente nos domingos de chuva. Mas dói mais perceber o deserto na convivência com o outro: falta de cumplicidade, de comunicação, de sonhar junto. Da mesma forma que apenas saber o que deu errado não significa que é possível reescrever o roteiro, o fato de falarem, discutirem ou conversarem também não significa que um entende o outro.

Pois é cara-pálida, apesar de ser muito prático ter alguém ali pra resolver seu problema de carência e vice-versa, nem sempre se disfarça o gosto de pão dormido da relação que acabou. As razões que levaram ao fim do namoro pairam no ar. A sujeira está embaixo do tapete e basta um tropeção distraído pra trazer tudo à tona. E é por isso que é muito provável que o revival do amor venha acompanhado de um revival da dor. Será que Vale à Pena Ver de Novo?

Um comentário:

  1. Bom, depois da sua própria conclusão, nem preciso dizer nada, né?
    Sempre dá merda lá na frente...

    beeijo.

    ResponderExcluir