terça-feira, 28 de junho de 2011

Roberval, um brasileiro

Estava me lembrando de um relato de um amigo meu - chamá-lo-emos de Roberval. Roberval é casado do Marilene há alguns anos e com ela tem filhos pequenos. Ele sustenta a casa, trabalha muito em seu negócio próprio e a família é perfeitamente inserida na comunidade onde vive.

Passamos um tempo sem nos ver e da última vez que nos encontramos, Roberval me contou que uma certa mocinha da repartição, a Cleonice, andou se engraçando pro seu lado. E Roberval acabou se encontrando uma ou duas vezes com Cleonice num motel na hora do almoço. Roberval tem uma vida sexual satisfatória com Marilene e, em suas palavras, a considera "mó gostosa". Roberval não estava insatisfeito com sua relação com Marilene, mas quis seduzir Cleonice mesmo assim. Nada mais canalha do que se envolver com alguém do seu trabalho - o que significa passar mais tempo com Cleonice do que com Marilene. De canalhice, Roberval entende.

Vida que segue e Marilene viajou com os filhos e os sogros num determinado fim de semana. Roberval ficou sozinho em casa. Em seu fim de semana de solteiro, Roberval acordou tarde e foi arrumar a casa escutando música alta, trajando nada mais que cuecas. Depois foi para a academia e pode correr o tempo que quisesse na esteira. Na volta para casa, Roberval encontrou um amigo na rua e aceitou seu convite de ir comer alguma coisa. Passou o domingo assistindo programas horrorosos na TV, com uma cerveja ao lado. O máximo de infidelidade a que chegou foi olhar as Panicats na TV.

"Quer saber?"- inquiriu-me Roberval - "Ficar de bobeira no fim de semana me deu muito, muito mais prazer do que comer outra mulher. Era disso que eu precisava". "De individualidade", o meu ego completou. Roberval não precisava da alta rotatividade sexual da vida de solteiro, mas apenas de um tempo para si. De aproveitar sua casa, seus amigos, seu tempo livre, seu lazer - não como um marido e pai, mas como, simplesmente, Roberval. Sem dar satisfação pra ninguém. Sem planos, rotina, tarefas. Sem ter que brigar porque o vestido que Marilene comprou é o preço do curso de inglês de Roberval Jr. Sem ter que dormir - e acordar - com um bebê no quarto. De pautar os seus horários pelo das crianças. Sem ter que esperar para usar o banheiro de um quarto-e-sala habitado por quatro.

Ah, Roberval, te entendo. Casamento é uma puta sacanagem com duas pessoas de classe média que se amam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário