sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A pessoa certa


Veja você as dificuldades enfrentadas nos relacionamentos nossos de cada dia:
_ Ele não é romântico
_ Ela é muito ciumenta
_ Ele chega em casa de mau humor
_ Ela fica chata na TPM

O amor é uma ironia, quase uma pegadinha, psicologia reversa. Todo mundo é capaz de amar o que é bonito no outro, por isso nos apaixonamos pelo melhor eu do outro. Mas a questão nunca é se você pode amar o que é fácil de ser amado, nem se consegue amar apesar dos defeitos, mas se consegue simplesmente parar de esquartejar a pessoa naquilo que você gosta e no que não gosta e amá-la por inteiro.

Imagina só terminar um namoro assim:

_ Por que você terminou o namoro?
_ Porque ele era romântico, companheiro, compreensivo e bem humorado.

E os defeitos? O que fazemos com eles? A princípio, fingimos que não existem. O nome dessa fase é paixão. Quando isso não for mais possível, a gente inventa essa história de que pra um relacionamento dar certo os dois tem que abrir mão, ceder. Abrir mão de que, cara-pálida?!

Ah sim. Abrir mão significa o seguinte: eu vou aguentar cinco horas de compras no shopping porque eu me odeio - ops, digo: porque eu te amo. Ou então: eu vou relevar o fato de você nunca querer fazer nada que eu goste comigo , tipo ir jantar fora, ao cinema etc. porque eu te amo e esse é "o seu jeito".

Porque se eu te amo, eu abro mão: de ir ao cinema que eu amo, de jogar futebol e poker com os amigos (porque ela não gosta), de sair pra dançar (porque ele detesta essas palhaçadas de dança), de fazer aquele curso que eu tanto queria. Vou ceder, vou carregar a sua dor, entender sua insegurança, seus traumas de infância e me resignar; vou enxergar qualidades que você nunca teve e ainda comprarei presente de aniversário pra todos os seus familiares sem esquecer ninguém. Farei isso porque te amo muito. Até que fique tão acabada a ponto de não ter mais forças pra te amar, a ponto de não saber mais se te amo, a ponto de me perguntar se te amei um dia.

Parece – e é – absurdo, mas essa é a base da esmagadora maioria de relacionamentos: uma máquina de tortura. Porque eu não consigo abrir mão, eu também decreto que o outro terá que ceder na mesma proporção e chamo isso de amor. E assim podemos nos torturar mutuamente até que a morte nos separe.

É fácil amar o outro que te acompanha onde você quer. Difícil é amar o outro a ponto de deixá-lo ir para onde ele quer sem saber se ele voltará pra você. O nome disso é confiança. E só é assim porque no fundo a gente nunca tem certeza se o outro volta, a gente tem que aprender a confiar que voltará. E o amor não é certeza, é entrega. E é justamente essa confiança que nos falta: se fôssemos menos controladores, medrosos e possessivos, se quiséssemos realmente amar o outro e vê-lo feliz incondicionalmente, confiaríamos nele e não seria necessário tentar aprisioná-lo. E seria justamente essa confiança que construiria uma relação verdadeira e livre: a relação com a qual no fundo, todo mundo sonha, mas não tem coragem de construir porque não sabe confiar e tem todo tipo de julgamento, exigências e opiniões sobre o outro.

Difícil é amar o outro sem abrir mão de si mesmo e jamais desejar que o outro abra mão das coisas que ama, pelo simples entendimento de uma equação simples: o amor é a soma de duas pessoas inteiras e felizes individualmente. Difícil é entender que o outro te ama ao mesmo tempo em que, às vezes, sente vontade de exercer a individualidade dele e ficar um pouco longe de você - achamos que isso é falta de amor.

Ceder num sentido em que sofremos pelo outro não é demonstração de amor, mas de ignorância. Não quero dizer com isso que o amor seja egoísta ou que temos que fazer primeiro o que dá na telha e depois pensar no outro para entendermos o que é um amor livre. Quero dizer que quando existe mesmo amor, podemos fazer coisas que não imaginávamos ou que sequer pensamos que um dia gostaríamos porque encontramos prazer e encantamento em compartilhar com o outro. Mas isso sempre é feito com leveza e nunca de forma que eu sinta que estou acumulando créditos numa conta imaginária da relação e que um dia o outro terá que me retribuir por todas as vezes que fui compreensiva e por todas as vezes que eu cedi. Toda essa cobrança nos relacionamentos só demonstra que tratamos as pessoas como um investimento, que nunca nos doamos de verdade: sempre exigimos algo em troca.

É fácil fingir que se ama. Difícil é amar até as últimas consequências, mesmo que isso signifique perceber que o relacionamento é incompatível porque a verdadeira personalidade dos dois seria inconciliável. É mais fácil esperar que o outro se torne aquilo que a gente gostaria, ou tentar obrigar o outro a mudar, ou então sofrer por fingir que ele é o que lá no fundo sabemos que não é. Como diria o Cazuza: “O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer e o meu poesia de cego, você não pode ver”.

Amor de verdade é difícil porque nem sempre depende de encontrar a pessoa certa. Amor de verdade depende, antes, de eu ser a pessoa certa, de vir a ser capaz de amar alguém no fácil e no difícil. O problema não é estar ao lado de alguém, mas querer continuar ao lado desse alguém. Se nós fôssemos a pessoa certa, com toda certeza não teríamos tanta dificuldade em encontrar alguém que quisesse permanecer ao nosso lado sem pensar no tempo, indefinidamente. Se fôssemos a pessoa certa não estaríamos o tempo todo e tão desesperadamente procurando essa tal pessoa certa do lado de fora.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Não acredito em alma gêmea - pronto, falei


No livro Comer, Rezar e Amar, uma psicóloga estava preocupada porque ia trabalhar dando assistência a refugiados. O medo dela era lidar com coisas que ela nunca havia experimentado e com uma realidade distante da vida dela: pessoas que além de perderem todos os seus bens (casa, roupas etc.) perderam também familiares. A surpresa foi descobrir que, no geral, as questões dessas pessoas eram as mesmas dos consultórios, tipo uma mulher de vinte e poucos anos dizer: “ah, eu estou arrasada porque eu conheci um cara no outro campo de refugiados e ele prometeu que viria comigo e me trocou por outra”.

Por que será que o tema relacionamento é tão presente na vida das pessoas? Com um certo exagero, às vezes chego a pensar que o coração é uma das maiores fontes de sofrimento do planeta. E eu conheço muitas pessoas que vivem amarguradas uma vida inteira por causa de um relacionamento ruim, ou pelo menos é o que elas acreditam.

Sob um outra perspectiva, acho que o sofrimento vem, na verdade, da nossa obsessão com os relacionamentos, do desejo insano e inconciliável de encontrar alguém que nos “complete”, de enxergar a vida a partir do outro e até mesmo de responsabilizar o outro pela própria felicidade. Essa é a idéia que muita gente faz de alma gêmea. Não estou dizendo que não devemos sonhar em encontrar alguém, nem que temos que ficar sozinhos pra sermos felizes. Estou apenas defendendo a idéia de que cada um deveria assumir a responsabilidade por sua própria infelicidade e também pela felicidade.

Não acredito que exista uma só pessoa dentre os sete bilhões de pessoas do mundo feita sob medida pra você. Acredito que nos magoamos e nos decepcionamos nos relacionamentos porque insistimos no caminho inverso ao que serial natural e razoável para construir o amor. A maioria das pessoas primeiro imagina o par perfeito, idealiza uma pessoa cheia de qualidades – com nenhum defeito, claro – e depois fica tentando encaixar as pessoas que conhece dentro do seu padrão idealizado. E assim a gente se apaixona por um holograma e quando conhecemos alguém ficamos tão ansiosos pela possibilidade de ser “a pessoa” que procuramos, que nos esquecemos de olhar para a pessoa com a qual estamos de fato.

O resultado é uma máquina de infelicidade: independente do quão especial seja a pessoa do nosso presente, quais são afinal as chances de que ela seja igual à pessoa irreal que se imaginou e desejou? O caminho mais maduro seria relaxarmos com relação a expectativas e deixarmos alguém nos conquistar e nos fazer sentir aos poucos (sem fantasias) vontade de ter uma vida junto. Dessa forma, poderíamos apreciar qualidades que talvez na nossa imaginação nem teríamos pensado que seriam legais e enxergar – por que não? – os defeitos de forma honesta, sabendo que as qualidades estarão sempre lá, mas que os defeitos também e não devemos colocá-los debaixo do tapete: é preciso encará-los e perguntar: será que consigo não só relevar isso, mas até mesmo amar isso como parte da pessoa que eu digo amar?

Eu não sou conselheira nem psicóloga, mas se me perguntassem o que acho que pessoas que sofrem muito por amor poderiam fazer para parar de sofrer, eu diria para tirarem esse disco arranhado cheio frases feitas, tipo “mulher é tudo igual”, ou “homem não presta”, ou ainda “casamento é igual a cadeia” ... e colocar o coração de férias, limpando da mente desejos e expectativas construídos por longos períodos de síndrome da cinderela.

Se você não sabe de que lado você está e não consegue perceber se está ou não vivendo a síndrome de cinderela, é simples descobrir: olhe para todos os homens ao seu redor e responda a si mesma se algum deles se parece ou poderia parecer com o príncipe encantado dos seus sonhos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

TPM?

Porque eu falaria em TPM num blog sobre o amor e relacionamentos? Pergunte pra qualquer homem que você conheça: a TPM tem sido a culpada pelo inferno astral de muitos casais: brigas homéricas, términos e afins.

Muitos homens não acreditam na existência da Tensão Pré Menstrual e dizem que as mulheres se aproveitam disso pra descontar frustrações. Não concordo com a inexistência da TPM e nem com a desculpa da TPM para qualquer comportamento escroto. Pra mim, TPM existe sim, mas o que resulta dela tem muito a ver com a personalidade da mulher em questão.


Se você é uma mulher insegura e neurótica, acho que a TPM faz você expressar isso num nível exponencial. Mas uma mulher equilibrada e tranqüila dificilmente pira durante a TPM - o que não significa que ela não possa ficar um pouco estranha nessa fase. Independente do quão forte e perturbadora seja a sua TPM, é possível escolher lidar com isso com bom senso: ter TPM nem sempre é opcional, mas surtar pode ser.

Se você fica insuportável, com propensão a ataques de fúria e tempestade em copo d’água e tudo te irrita, pode escolher ficar mais reservada nesse período – não vá inventar mil e um programas sociais e românticos porque isso seria suicídio amoroso - já que você sabe que tudo e nada vão te irritar.

E se você fica triste e chorona, pode escolher conversar com o namorado, família, colega de apê e pedir gentilmente pro povo te dar uma colher de chá explicando que você está sensível.

Com jeitinho e um pouco de compreensão de quem convive com você é possível sobreviver a TPM sem ficar insuportável. Quem tem a mente neurótica de fábrica e fica querendo colocar a culpa na TPM cedo ou tarde será decoberta, porque TPM, como vocês sabem, não dura para sempre.


Se você é assim o mês inteiro, melhor procurar terapia. Caso contrário, você pode ficar louca que nem a americana que ligou para a polícia porque o controle remoto dela sumiu. Isso é o não é o cúmulo da TPM, hein? rsrsrs. Não acredita? Então veja aqui!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sabedorias do Facebook...

Se seu ex, ou sua ex, disser algo do tipo:

- Você nunca encontrará alguém como eu!


Somente diga:



- A IDEIA É ESSA!!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Reino animal e cadeia alimentar

Mais uma sabedoria das amigas: "De que adianta sermos gatas se amamos os cachorros e eles querem as galinhas e ainda são perseguidos pelas vacas quando acompanhados de uma galinha?"


Pois é, o mundo animal é complicado mesmo...