segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Amor otimista

Que me desculpe Liz Gilbert, mas não acho que seja necessário Comer, Rezar e Amar para perceber um comportamento amoroso tão comum - especialmente entre as mulheres - como o das serial daters. Serial killer mata em série. Serial dater, "namora"em série.


No livro, Liz conta que tem um histórico de se apaixonar rápida e instantaneamente - sem medir os riscos - e de tomar decisões sobre os homens muito prematuramente. Esse histórico lhe parece familiar?

Mulheres tem uma tendência a ver sempre o melhor no outro e acreditar que todo mundo é emocionalmente capaz de ser o seu "melhor eu" numa relação. E é por isso que tantas vezes nos apaixonamos em 5 segundos pelo cara que apenas nos deu bom dia no elevador, por um gentil desconhecido no metrô, por aquele carinha novo que apareceu na turma do colégio ou no trabalho, por aquele gringo que você conheceu naquela viagem maravilhosa. Nossa vontade de encontrar o tal homem é tanta que qualquer gentileza, ainda que mecânica, ainda que apenas por educação, nos faz virar do avesso por alguem que sequer conhecemos.

É essa dificuldade de enxergar o homem que está bem na frente do nosso nariz que nos leva a nos apaixonar por um homem em potencial. E porque não conseguimos ver a diferença entre uma coisa e outra, tantas vezes nos penduramos a um relacionamento, à espera de que o homem do agora se torne tão bom quanto a nossa melhor visão do que ele poderia ser.

Será que somos vítimas do nosso próprio otimismo? Eu acho que não. Quem namora ou se apaixona em série não tem um problema de excesso de otimismo, mas de distorção da realidade.

Não digo que não devemos sonhar, que todo mundo lá fora é um escroto em potencial e que é impossível que aquele carinha russo que você conheceu na Holanda seja o amor da sua vida, ou que é inviável conhecer um grande amor no elevador, ou sentado bem na mesa ao lado da sua no trabalho, em uma situação improvável e inesperada.

Apenas acho que quando se é uma serial dater, ávida por casar ou encontrar aquela pessoa especial, estamos imediatamente diminuindo infinitamente a possibilidade de alcançar esse "objetivo", porque não importa o quão bons ou ruins sejam os homens que encontraremos no caminho: a única coisa que seremos capaz de enxergar é o homem em potencial que criamos na nossa imaginação. E apesar de óbvio, nem mesmo uma sequência de "decepções" nos faz perceber que a solução está nos nossos próprios olhos.

Na maioria das vezes o problema não é o que vemos, mas como vemos. Amor otimista não é amor cego ou de conto de fadas: é aquele capaz de enxergar o outro sem distorções e sem ilusões. A todas e todos que ainda não encontraram "a pessoa certa", desejo que em 2012 você encontre um amor ultra otimista, diferente de tudo o que você imaginou até aqui e, ao mesmo tempo, muito, MUITO melhor do que a sua imaginação: um amor possível.

5 comentários:

  1. Esse exemplo do bom dia no elevador foi indireta?

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  2. Que isso, Lu?! Vestiu a carapuça?! Se tem alguma menção indireta a alguém nesse post, trata-se de um ser humano que se apaixonou por um russo na Holanda. Foi vc?

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  3. Eu não, mas me apaixonei por alguém que comentou sobre o tempo no elevador e estou aqui imaginando toda uma vida ao lado dele. Além de monitorá-lo no same, óbvio.

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  4. Ué, eu achei que tinha sido só um impulso, mas que já tinha passado porque você está... bem, deixa pra lá.

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