terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Nem tão rapidinha do dia

Outro dia eu tava lembrando que sempre que o meu então namorado deixava o e-mail dele aberto no meu computador eu deslogava imediatamente, resistindo à tentação de "dar aquela espiadinha", como diria o Bial.

Pra começar: o e-mail é dele e ponto. Lê-lo sem o seu consentimento também seria traição da sua confiança, assim como uma infidelidade "carnal" o seria (tudo bem que se eu tivesse que escolher entre os dois, preferiria que ele lesse meu e-mail). Vida privada, independência e solitude são essenciais. Como disse uma amiga minha "eu vou deletar todo mundo no meu facebook que está com o namorado na foto do perfil".

É claro que sempre existia a possibilidade dele trocar e-mails tórridos com a cunhada com quem estava tendo um caso (Nelson Rodrigues meets século XXI), porque o ser humano é inerentemente filho da puta. Mas a possibilidade de eu ter a impressão errada lendo algum e-mail amigável e brigar por conta de algo que não existe era muito maior. É melhor ser enganada uma vez na vida a ser paranóica diariamente.

Rapidinha do dia

Às vezes faz total sentido que o amor não faça sentido algum - porque parece que ele foi inventado exatamente pra questionar nossas certezas e revirar tudo do avesso. Mas a loucura do amor é sempre uma loucura boa. Já dizia o filósofo Nietzche:

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura".

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pollyanna

Conversando com um amigo sobre namoro, ficadas, pegações e afins:

- O que eu tenho feito ultimamente é ir num prostíbulo de vez em quando, dar uma tratada na vontade.
- Mas você é casado! Nossa, quanto mais conheço certos homens mais tenho certeza que nunca vou casar.
- Você está vendo a coisa pelo ângulo errado. O prostíbulo salva o meu casamento. Porque o que eu queria mesmo era estar comendo a minha estagiária de 20 anos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Eu e eu mesmo vezes a minha própria pessoa


Joãozinho termina com Mariazinha. Ela sofre por um tempo e depois fica com raiva de sofrer e resolve aproveitar a vida que segue - encontra Pedrinho. Joãozinho fica sabendo que Mariazinha está com outro, tem uma súbita e inexplicável vontade de reatar o relacionamento e ressurge choramingando e dizendo que nunca esqueceu Mariazinha, que a ama etc e tal.

Geralmente, nessa historinha, independente se o motivo do fim foi ou não plausível, um ainda sente que gosta do outro de alguma forma, mas se recusa a "reatar" por orgulho besta, até que os dois trocam tanto os pés pelas mãos e as coisas chegam num ponto de acúmulo de orgulho e de mágoa pré e pós fim do namoro que reatar seria suicídio amoroso: os dois passariam a vida a dois remoendo mágoas e apontando dedos.

Não estamos inventando novas formas de amar, não estamos aprendendo muito com nossos erros, não percebemos sequer o óbvio que deveria estar subentendido na palavra relacionamento: ele é feito de dois - existe sempre o "outro". Contrariando essa lógica, a regra é as pessoas só se relacionarem consigo mesmas.

Mariazinha não decide reatar ou deixar de reatar baseada no sentimento que ainda existe e na admiração e amor que sente ou deixa de sentir por Joãozinho. Decide-se não voltar por causa do pé na bunda (ainda que tenha sido merecido) que resulta numa espécie de "direito adquirido” de fazer o outro sofrer justificadamente: "tá vendo, terminou comigo agora aguenta, tem que sofrer". É direito de qualquer pessoa com o orgulho ferido agir de forma a se sentir quite ou para recuperar sua “auto-estima”, certo?

Por sua vez, Joãozinho, com ou sem razão de ter terminado, também não reatou ou deixou de reatar antes de saber de Pedrinho pura e simplesmente por não querer dar o braço a torcer, por ter orgulho de pedir pra voltar baseado na certeza de que está com a razão e foi ele quem terminou, portanto seria-humilhante-demais-pedir-pra- voltar-estando-certo.

Tudo o que realmente deveria ser levado em conta nessa equação é totalmente esquecido. O relacionamento se resume a uma briga do "eu tenho a razão" misturada com egos feridos e orgulhos inúteis. Se os dois precisam de um espaço para repensar a relação ou se ainda se ama ou não, pouco importa, a prioridade é EU SER FELIZ – ainda que a única felicidade possível seja atender aos meus desejos mais imediatos e muito pouco nobres. Estamos sempre pensando em nós mesmos e o mais irônico disso é que sempre que fazemos isso, o resultado é mais sofrimento do que felicidade. Numa relação de cada um por si e contra o outro, como é possível crescer e encontrar equilíbrio, ou um novo amor (ou seja lá o que for!) agindo sempre com base em sentimentos incompatíveis: raiva, mágoa, orgulho, vingança?

Qual é o resultado mais provável quando numa equação de dois a gente só se relaciona consigo mesmo? Não é possível encontrar a felicidade sendo egoísta porque enquanto estou pensando no meu próprio umbigo, não só ignoro o outro, mas também a mim mesmo e aquilo que realmente quero.

Aqueles que assumem que torturar quem deu um pé na bunda é a coisa mais justa, inteligente e correta a se fazer podem até colher aquele sentimento de desforra, de auto-estima recomposta num curto prazo. Sim, esse sentimento de vingança pode ser gostoso, acho que todo mundo é capaz de admitir isso.

O problema é que, tal e qual o efeito de compra de uma roupa nova, a alegria vingativa passa rápida. Se pra minha auto-estima ficar em alta eu preciso diminuir a do outro agindo de acordo com sentimentos pequenos, posso assegurar que logo, logo essa alto-estima de araque irá ruir e precisará de alguma outra coisa ou pessoa pra tentar remendar o estrago.

O bom de ser humano é a capacidade que temos de fazer escolhas. Quando a gente percebe e entende o saco sem fundo que é construir relações egoístas, temos a chance de aprender a nos relacionarmos de maneira mais amorosa, considerando nossos sentimentos, os sentimentos do outro e agindo da maneira que gostaríamos que agissem com a gente.

Longe de apontar o dedo ou julgar, até porque no quesito relacionar-se-consigo-mesmo eu devo ter sido pelo menos campeã estadual - a ideia é apenas partilhar o que eu aprendi e falar de algo que eu vejo muito nos outros porque já vivi isso - I have been there.

Uma vez que a gente descobre o quão estúpido é agir pensando apenas no prazer e na satisfação imediata de "dar o troco", entendemos que o amor não medíocre não é nada fácil. Por outro lado, não conheço nenhum lugar pior do que aquele em que enxergo o amor a partir do meu próprio umbigo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A indiferença é o oposto do amor?


Dizem que amor e ódio andam juntos e que o oposto do amor é a indiferença. Alguém já parou MESMO pra se perguntar se essas frases batidas fazem sentido? Sobre amor e ódio, até o House – fracasso-mor quando o assunto é relacionamento – já dizia que “There is not a thin line between love and hate. There is, in fact, a Great Wall of China with armed sentries posted every twenty feet between love and hate" (minha tradução livre: Não existe uma linha tênue entre amor e ódio. Na verdade, entre o amor e o ódio existe uma Muralha da China com sentinelas armados posicionados a cada seis metros).

Pra mim é indiscutível que amor e ódio NÃO andam juntos, o que não quer dizer que se você não ama alguém, necessariamente odeia esse alguém. Será então que ausência total de amor ou ódio = indiferença?

Indiferença se traduz em uma espécie de apatia, de desinteresse, insensibilidade. Se sou indiferente a você meu corpo e sentidos ignoram sua presença ou ausência - simplesmente não importa. Ok, o conceito é esse. Mas o que se esconde atrás da indifereça é o que me interessa mais.

A indiferença em si pode ser ignorar completamente alguém, mas a origem dela é uma total reação. Sabe essa coisa que a gente tanto fala, de como nos tornamos indiferentes à pobreza, ao sofrimento humano, à violência? Quando somos bombardeados por coisas que nos fazem sofrer repetidamente - ao mesmo tempo em que nos sentimos incapazes de lidar com os efeitos desse bombardeio - como forma de autopreservação, deixamos de reagir de qualquer maneira - positiva ou negativamente.

Por trás da indiferença não há mais indiferença. A indiferença nasce da nossa incapacidade e de lidar com nossos sentimentos. A afirmação de que a indiferença é o oposto do amor é uma falácia, porque a origem da indiferença não é o amor, mas sentimentos contraditórios como impotência, mágoa, raiva.

Muita gente se sente ultra superior achando que sentir-se indiferente é sinal de que superou o fim de um relacionamento - "dei a volta por cima" (ahã, só se for por cima de você mesmo, cara-pálida!).

Além desse diagnóstico ser auto-enganação, ele revela o extremos oposto: não só você não esqueceu, como varreu a sujeira pra debaixo do tapete por ser incapaz de lidar com os próprios sentimentos. Nossas emoções nos enviam mensagens e sinais o tempo todo, apontando a falta de sintonia entre aquilo que a gente pensa e aquilo que a gente sente.

Indiferença é uma reação covarde e de desamor consigo mesmo e com quem dizemos amar. Pessoas capazes de agir de acordo com o que sentem e não de acordo com aquilo que pensam - sem basear suas ações na raiva e na mágoa - são simplesmente incapazes de agir de forma agressiva, vingativa ou indiferente, não só com relação a qualquer ser humano, mas principalmente com relação a alguém que se ama.

Podemos querer acreditar que o amor vira ódio ou indiferença. Mas nossa crença não faz disso uma verdade. Enquanto acreditarmos que o amor á capaz de ser eliminado por qualquer coisa menor que ele, estaremos decretando que o amor tem que acabar quando um relacionamento acaba. Se não confundimos amor com atração física e com um monte de outros sentimentos que nada tem a ver com amor, podemos perceber que é perfeitamente natural terminar um relacionamento e continuar sentindo afeto e querendo o bem do outro de uma forma especial - como deveria ser entre duas pessoas que viveram uma história de amor. E isso não precisa depender de como terminou o relacionamento, do que "o outro" fez ou deixou de fazer. O amor não está condicionado a isso ou aquilo. E se você só ama quem te ama de volta ou faz tudo o que você espera que ela faça, deveria rever totalmente seus conceitos.

Sim, o desejo de construir uma vida a dois, o desejo físico, sonhos compartilhados e a sintonia podem acabar e isso tudo pode decretar o fim do relacionamento. Mas o amor - que não tem oposto nenhum, não poderia virar coisa alguma que não fosse o próprio amor.

Como dizia o poeta, o amor é "feliz e forte em si mesmo". Então, por que eu deveria achar que é possível e plausível racionalizar o oposto do amor ou razões pra amar, não amar ou deixar de amar quando a razão não dá conta sequer de explicar logicamente porque se ama alguém?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O acerto do erro...

Oi Gentém!


Antes de contar a história do dia, gostaria de contar que entre minhas resoluções de ano novo eu incluí (top five, ok?) postar mais por aqui. Sim, senti saudades!!!!

Enfim, eis a historia que ouvi hoje, no almoço da primeira segunda-feira de 2012:

A Lu estava contando de uma festa que ela foi em São Paulo. Estilo cult, galera legalzinha e tals... Segundo ela, os machos do local estavam todos devidamente uniformizados com seus abadás indies (barba, camisa xadrez e óculos pretinho).


Ela saiu para se divertir com seus amigos, mas cla-ro que ela chegou e deu aquela checada no lugar a procura dos gatchenhos. E logo localizou o alvo da noite: uma figura bronca, ogra, e que tem com hobbie de final de semana construir carros. (E eu disse construir, não consertar...)


Investiu no moço a noite toda. Olhando, dançando, cantando... Até que ela viu que nada aconteceria e desisitiu. Não sem ficar puta com o cara, por ser um imbecil, claro. Pra "fugir" do cara durante a noite, que como todo bom macho imbecil, depois ficou correndo atrás dela(Clássico!), a Lu foi dançar com a figura mais esquisita da noite. Dançou loucamente e descoordenadamente com seu novo amigo. Pra chutar o balde mesmo. No melhor estilo "a noite já tá perdida mesmo, então f@#&-se".


Acontece que essa dança descoordenada se mostrou uma afinidade entre os dois... Dai em diante, rolou um beijo, um telefonema no dia seguinte, um filme... E o ogro-objeto-de-desejo não passou de um coadjuvante da historia.


Moral da historia, nenhuma. Só achei a historia legal e quis compartilhar. Talvez pra mostrar que algumas vezes a gente investe tanto numa pessoa que parece ser A pessoa da nossa vida, que não percebe que o nadavê se mostra muito mais adequado.


Feliz 2012!!!!

Dicionário Masculino

- "A gente se fala"= a gente não se fala. Se ele realmente quisesse falar com você, diria "Tá a fim de fazer algo no fim de semana? Te ligo na sexta pra combinar". "A gente se fala" é o que a gente fala na falta do que falar na hora de se despedir.

- "Quero te ver"= quero te ver... sem roupa.

- Colocar Portishead pra tocar= do fundo do coração, eu acho que Portshead carrega várias mensagens subliminares. Garanto que, se você rodar o disco ao contrário (tal qual fazia com o disco da Xuxa), a Beth Gibbons estará dizendo "beijem-se", "tirem a roupa". Porque nada mais convidativo ao sexo do que Portshead. O mesmo fenômeno foi recentemente observado com Massive Atack e Morcheeba. Porque o seu pretendente também tem que ter bom gosto musical, né?

(Continua...)

Mega-ultra-super sincera

Agora que o ano já começou (ou será que só começa depois do carnaval?), voltemos às falácias, que, no caso dessa menininha, começaram bem cedo!