sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sobre o quase e o nunca mais



História 1:

Depois de alguns anos de solteirice, ela conheceu um cara incrível e se apaixonou de um jeito tão bonito como nem sequer sabia ser capaz. Aquele sentimento transformou não só seu humor, mas mudou de um jeito incrível tudo o que ela sabia, até então, sobre gostar de alguém.

Mas aí, como se o mundo já não fosse injusto o suficiente, seu par ia mudar de cidade e, assim, era bem provável que o seu sonho tivesse data de validade, até porque, ele não sinalizou que pretendia levar o relacionamento adiante, à distância.

Qual é a receita pra gente viver com leveza e presença sem pensar que esse relacionamento que nos acordou pra vida, tem prazo de validade? Como é que aceitamos o último beijo, o último abraço, a última noite e o até nunca mais?

Se despedir de alguém contra nossa vontade é uma coisa difícil de fazer. Nunca mais é um tempo muito longo quando desejamos o sempre.

História 2:

Ele conheceu uma mulher que virou tudo do avesso: ela parecia ser exatamente a mulher que ele sempre sonhou, e que tinha plena certeza de que nunca iria realmente existir. Mais que isso: ela era até melhor do que ele conseguia ter imaginado. E a única coisa que o separava dela era a distância de braços estendidos que imploravam pelo abraço mais longo que pudesse existir.

Mas ela apareceu na hora errada, no dia errado, no mês errado, na lua trocada, na maré vazante. Ele era comprometido, ela também. Ele queria abraçá-la, beijá-la, sentir o seu cheiro. Mais do que isso e tanto: ele queria passar os finais de semana com ela, as noites em claro conversando sobre o mundo, sobre o tudo e sobre o nada. Queria passar o dia em silêncio, com ela.

Acontece que, de tão intenso que era esse sentimento, ele tinha medo que tudo se desintegrasse em um beijo. Tinha medo do que viria depois, do que aconteceria com os relacionamentos de cada um. Tinha medo de descobrir que ela realmente era essa mulher que ele só conhecia na imaginação. Tinha mais medo ainda por pensar que eles jamais poderiam ficar juntos.

O nunca mais é realmente assustador. Mas, pelo menos, ele vem de uma coisa que foi vivida. O que fazer com um quase abraço, um quase beijo, um quase qualquer coisa? Como viver sem nunca saber como teria sido beijar fora da sua imaginação a mulher que talvez fique guardada lá pra sempre?

Entre o quase e o nunca, existe um infinito de probabilidades que jamais poderão ser alcançadas por aqueles que simplesmente não se permitem transgredir o medo de tentar.

5 comentários:

  1. Só queria dizer que li, que sempre leio, que amei essas últimas duas postagens. Pq vivi, vivemos esse sentimento, essa dualidade entre o que é real e o que não é. Amo vcs :)

    ResponderExcluir
  2. Só queria dizer que li, que sempre leio, que amei essas últimas duas postagens. Pq vivi, vivemos esse sentimento, essa dualidade entre o que é real e o que não é. Amo vcs :)

    ResponderExcluir
  3. Patricia! Depois de tanto tempo sem conseguir escrever aqui, ler seu comentário me deixou super feliz! E sabe porque? Escrever é definitivamente o que mais amo fazer. E eu sinceramente poderia escrever num diário, pra ninguém ler, porque o objetivo maior é eu conseguir me expressar e colocar pra fora o que sinto. Escrever me ajuda a repensar a vida, me entender e, no final das contas, sempre me acalma. E um dos principais motivos pra eu dividir isso com outras pessoas é o de compartilhar as dificuldades, erros e acertos que acho que não são só meus - mas de todo mundo! E é tão bom saber que eu não estou sozinha nessa enrascada que é aprender sobre mim mesma através dos relacionamentos. Beijos!!!

    ResponderExcluir
  4. Ah que bom!!!! Escrever é realmente esclarecedor! Tb escrevo e parece que durante o processo as fichas vão caindo. Deu vontade de falar como acho isso aqui incrível. Beijos!!!

    ResponderExcluir
  5. Foi bacana abrir um email antigo e receber notificações de novas postagens por aqui!

    O tempo passa, as experiências aumentam e as essências se consolidam de alguma forma que não sei explicar, mas que acredito.

    Texto bacana! Eu quase entendi tudo!

    ResponderExcluir