terça-feira, 21 de julho de 2015

O sexo e outros demônios I




A gente conhece esse ciclo: início de relacionamento: sexo todo dia, às vezes mais de uma vez por dia. O tempo vai passando, a coisa vai esfriando e, eventualmente, quando se mora junto, acontecem fases em que há muito pouco sexo. Que atire a primeira pedra [não vale se for a Luca] a mulher que nunca passou por isso: por simplesmente não ter vontade de nada, seja porque está estressada com outras coisas, ou porque tem estado muito cansada e blá blá blá.

Para um homem, não ter tanto sexo quanto se deseja é um problema. E dos grandes, desses que gera muita frustração e deixa a pessoa de mau humor. Quem nunca ouviu um cara casado e com filhos recém chegados reclamar absurdos disso? Aliás, quem nunca conheceu um cara casado com um recém nascido que arrumou outra mulher para resolver o problema da falta de sexo?

Por que a gente usa o sexo como termômetro de uma relação? Pra começo de conversa, para a maioria das pessoas, sexo é o que diferencia uma amizade de um namoro. É só isso e é tudo isso [e eu não vou falar aqui de amizades coloridas e coisas do tipo, senão o post vai ser infinito]. Com amigos, a gente sai, ri, viaja, briga, faz as pazes, conversa, mora junto, racha a conta, divide experiências e pede conselhos. E com um parceiro, namorido, namorado e marido a gente faz tudo isso + sexo.

Tanta gente se relaciona quase que só pelo sexo garantido e disponível 24 horas por dia. É mais fácil do que sair à rua e ter que encontrar um desconhecido que esteja disposto, né? Só que, em tantos relacionamentos, não existe o tudo isso que mecionei que os amigos tem. E, se falta sexo, falta muita coisa. Falta tudo, às vezes. E a relação perde o sentido: porque se não se tem sexo e não sobra nada além disso, qual o sentido? Nem todo mundo se dá conta de que a insatisfação não está relacionada somente a falta de sexo, mas a falta de coisas essenciais que podem ser compartilhadas por um casal. É mais prático colocar toda a culpa no outro, ou no sexo ruim, ou na falta de sexo.

Sexo é tão ridiculamente supervalorizado, que a maioria das relações são medidas pela quantidade de sexo que se tem ou pelo sexo que não se tem. Não deveria ser necessariamente um problema ter sexo demais ou de menos. Acho que o ideal é ter apenas o suficiente, que tem muito mais a ver com qualidade do que a quantidade. E sexo suficiente, pode ser nenhum em alguns momentos: pode ser apenas dormir de conchinha com um beijo de boa noite na testa.





Continuação: 
O sexo e outros demônios II
O Sexo e outros demônios III

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