quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Amanhã eu não sei




É fato que eu nunca vou poder entender as minhas próprias razões para gostar das pessoas que eu gosto. É como eu tentar explicar porque eu gosto de quiabo, ou de raiz de bardana. Eu simplesmente gosto e ponto (pausa para procurarmos no Google a raiz de bardana que, sim, existe!).

Todas as vezes que tentei entender o que eu sentia e os porquês, me senti absurdamente estranha. E a razão disso é que, lá no fundo do meu coração bizarro, eu não quero explicar o que eu sinto, porque eu só preciso VIVER o que sinto. Quero viver como se fosse um tapa bem no meio da cara, para o qual eu jamais estive preparada.

Porque a vida é mais ou menos aquilo que acontece enquanto a maioria de nós está imaginando como as coisas vão ser, ou ainda como gostaríamos que fossem. Mas a gente não sabe, nem de longe. E é só porque a gente não sabe e não tem como saber que existem as cartomantes: só pra fingirmos aceitar melhor essa coisa obscura que nos espera amanhã. Porque amanhã eu posso me apaixonar. Amanhã posso me desapaixonar. Amanhã um mundo completamente assustador de possibilidades infinitas me espera.

Se apaixonar é viver numa realidade aumentada, é poder enxergar a vida em ultra alta resolução e perceber detalhes que ninguém mais percebe, como todos os redemoinhos da barba dele e o jeito que ele sempre pisca os olhos quando fica um pouco tímido. Ou ainda a forma como ela mexe nos cabelos dele quando o beija e a mania desastrada que ela tem de derrubar as coisas e acertar as quinas.

Sonhar não é problema. O problema é ser só sonho. O problema é não entendermos a diferença entre uma coisa e outra e não permitirmos que a realidade nos surpreenda. Eu posso imaginar um milhão de coisas lindas que gostaria de viver com você. No meu sonho, não tem sapatinho de cristal e cavalos brancos - eu particularmente prefiro pular essa parte, porque é muito traumático quando a minha imaginação toda se autodestrói com uma toalha molhada na cama.

Mas o amanhã que eu desconheço só é possível quando eu estou pronta para enxergar toda a beleza que existe fora do sonho, no lugar onde a vida de fato acontece. Nesse tempo-espaço em que eu sou só uma garota comum apaixonada, sem saber explicar como isso aconteceu nem onde isso vai dar, mas acordada o suficiente pra me permitir viver tudo o que vier.

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