sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

É tão simples que chega a ser complicado


_Eu acho que o amor é uma coisa simples, as pessoas complicam muito e pensam que só podemos sentir isso num relacionamento, depois de algum tempo. Eu acho possível dizer 'eu te amo' mesmo pra uma menina com quem eu esteja só ficando. O que você acha que é amor?

Era noite de sexta-feira e estávamos num bar quando o Fernando fez essa pergunta descabida.
Tentei responder, mas não conseguia colocar em palavras. Cheguei em casa e sentei pra escrever sobre isso, pra ver se as palavras saíam. Nada. Respirei diante da tela do notebook e não sabia por onde começar. Pedi ajuda ao Wiki, ao Aurélio, ao Google. Li Fernando Pessoa, Buda, Rubem Alves. Nada. Parti pra ignorância e li umas frases do Paulo Coelho, do Crepúsculo, do Wesley Safadão. Nenhuma luz acendeu.


O amor pode ser simples. Você olha pra ele e bum! Você apenas sabe que sente. Mas explicá-lo pode ser mais difícil que resolver o teorema de Fermat e com certeza vai levar mais do que trezentos anos. Mentira. Não vai levar trezentos anos, porque o tempo infinito não dura o suficiente para colocar o amor em palavras.
 

Vai ver o amor é tão simples que tem exatamente a medida da minha capacidade de sentí-lo. Eu quero debater política (ou não), e falar sobre mobilidade urbana, machismo, maternidade, sobre a fome na África ou sobre como o mundo está complicado. Quero tentar explicar as guerras e quero conversar sobre como podemos fazer do mundo um lugar melhor e mais pacífico. Mas não quero explicar o amor. 

Não quero debater sobre o que eu acho que ele é. Se é fácil ou difícil, simples ou complicado. Não, isso eu realmente não quero. Não quero ler no Google, não quero te ouvir dizer o que você acha que é ou não é. Certamente também não quero falar disso que as pessoas chamam de amor, mas que mais parece uma lista de afazeres cheia de obrigações sempre disfarçadas pelas palavras respeito, consideração, companheirismo e fidelidade. Não quero discutir se amor, atração física, desejo e paixão se misturam.

Eu não sei definir o que é o amor, mas posso dizer o que ele não é. Definitivamente, o amor não é argumento, nem ponto de vista. Se eu pudesse responder a pergunta do meu amigo, diria que o amor é a forma mais pura do Bem, que o amor é o desejo sincero de querer bem alguém. Mas eu não posso definir, então, melhor deixar pra lá.

Mas voltemos à minha conversa do bar. :

_ Eu concordo quando você diz que o amor é simples. Mas só porque é simples, não significa que seja fácil de expressar ou de encontrar ou ainda de definir. É fácil querer bem a superfície de alguém que julgamos simp
ático, legal, divertido, atraente e interessante. Mas quando todas as luzes se apagam, para além das aparências, será que o amor dá as caras? Sem o sorriso de comercial de pasta de dente, nem as noites maravilhosas de sexo, mas nas noites de tédio, nas tardes de tristeza, na divergência, na rotina, nas feridas abertas.  


Ele me olhou sem entender nada:

_ Mas você não respondeu a minha pergunta.

_ Eu sei. Eu não sei responder, é isso. Apesar de tudo o que posso explicar a partir do que já experimentei, nenhuma definição sobre o amor me satisfaz totalmente, nem a minha própria. Com relação ao amor, desconheço a sensação de pisar em terra firme. Porque, às vezes, eu juro que a única coisa que sabemos de verdade sobre o amor é que não sabemos nada. E talvez nem precisemos mesmo saber mais do que precisamos sentir. Cada amor é único, imprevisível, inconclusivo e impossível de explicar. O amor é uma pergunta sem resposta.

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